quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Novas estreias

Esta semana há sete novos filmes em cartaz.

  • "A Moral Conjugal", de Artur Serra Araújo, com Catarina Wallenstein, Maria João Bastos. País: Portugal. Duração: 95 minutos. A protagonista desta película é Manuela, uma delegada de propaganda médica habituada aos trilhos da infidelidade conjugal e a casos amorosos com médicos. Manuela oscila entre duas ambições para a sua vida emocional; por um lado quer encontrar o grande amor e viver uma relação aventureira e fogosa, por outro lado deseja a calma e o conforto. Dos homens com que se relaciona, há dois que representam para ela um grande dilema e duas versões do amor: um é ansioso e tímido e entra em pânico quando entra em qualquer relação amorosa, o outro é um homem extremamente romântico que não suporta o adultério. Manuela vai ter de compreender por que pratica tanto a infidelidade, apesar de querer apegar-se a alguém, além de tentar lidar com o que os seus comportamentos podem fazer ao seu casamento.
  •  
  • "As Palavras", The Words, de Brian Klugman, Lee Sternthal, com Bradley Cooper, Zoe Saldana. País: E.U.A. Duração: 97 minutos. Rory Jansen é um escritor de êxito que procurava inspiração para o seu próximo romance quando encontra um texto perdido de grande qualidade literária e decide publicá-lo sob a sua autoria. O livro torna-se num sucesso e é aplaudido pelos críticos e o público. No entanto, o verdadeiro autor do seu romance está vivo e descobre o que aconteceu. Quando Jansen é confrontado pelo velho escritor desconhecido, lentamente vai perceber as verdadeiras consequências de receber os louros por algo que não e de colocar a ganância antes de valores fundamentais.
  •  
  • "Actividade Paranormal 4", Paranormal Activity 4, de Ariel Schulman, Henry Joost, com Katie Featherston, Kathryn Newton. País: E.U.A. Duração: 88 minutos. Cinco após o desaparecimento de Katie, protagonista de "Actividade Paranormal 3", e do filho Hunter, uma família vai testemunhar estranhos acontecimentos no subúrbio quando uma mulher e a sua estranha filha vão viver para lá.
  •  
  • "César Deve Morrer", Cesare deve morire, de Paolo Taviani, Vittorio Taviani. País: Itália. Duração: 76 minutos. Neste documentário, vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim de 2012, é mostrado um grupo de presidiários da prisão de Rebibbia, em Roma, a encenar uma versão da peça "Júlio César" e a viver em celas - a passar de actores a criminosos com uma vida no interior da prisão.
  •  
  • "Dos Homens sem Lei", Lawless, de John Hillcoat, com Shia LaBeouf, Jessica Chastain. País: E.U.A. Duração: 116 minutos. Durante o período da Grande Depressão e da Lei Seca, os irmãos Bondurant gerem na Virgínia o seu negócio de produção e distribição de bebidas alcoólicas. Depois de uma operação especial, alguns gangsters e as autoridades corruptas e procuram arrecadar algum do dinheiro ganho pelos Bondurant. Após várias disputas e lutas, o mais jovem dos irmãos, Jack, vai ter de amadurecer e proteger as posses da família enquanto tenta ganhar o coração da filha de um religioso.
  •  
  • "Manteiga", Butter, de Jim Field Smith, com Jennifer Garner, Yara Shahidi. País: E.U.A Duração: 90 minutos. Laura Pickler é a bonita e popular mulher de Bob, o imbatível campeão de esculturas de manteiga em Iowa, sentindo-se feliz como está na vida. No entanto, Bob é convidado a determinada altura a abandonar as competições e proporcionar victórias a outros participantes. Laura não se conforma nem quer perder a fama entre os concidadãos e inscreve-se na competição mais próxima. Porém, ela tem oponentes fortes, como a talentosa Destiny, de apenas 10 anos, e Brooke, uma stripper e amante de Bob que se faz acompanhar no concurso por uma fã, Carol-Ann. Laura, ainda assim, não desiste de competir e fará tudo para ganhar, recorrendo à sabotagem e associar-se ao seu ex-namorado.
  •  
  • "O Fim dos LCD Soundsystem", Shut Up and Play the Hits, de Dylan  Southern, Will Lovelace. País: Reino Unido. Duração: 108 minutos. Trata-se de um documentário que mostra a última actuação do grupo britânico LCD Soundsystem, que teve lugar em Madison Square Garden, além de uma entrevista com o vocalista, James Murphy, que fala sobre o seu futuro e as consequências da separação do grupo.

sábado, 27 de outubro de 2012

Estreias da semana

As estreias desta semana foram divididas em dois dias. Anteontem estrearam cinco filmes de vários géneros e ontem estreou, tal como numa série de outros locais do mundo, o novo filme protagonizado pelo agente 007, James Bond.
 
  • "A Advogada", Conviction, de Tony Goldwyn, com Hilary Swank, Sam Rockwell. País: E.U.A. Duração: 107 minutos. Baseados em factos reais, trata do caso de Kenneth Waters, condenado em 1980 a prisão perpétua pelo assassinato cruel de uma mulher, tendo contra ele provas inquestionáveis e várias testemunhas. A irmã de Kenneth, Betty Anne, possivelmente uma das únicas pessoas a acreditar na sua inocência, estudou as leis numa faculdade de Direito e fez o que pôde para gerir o trabalho com a vida familiar a fim de se defender o irmão e conseguir a sua ilibação.
  •  
  • "A Casa do Fim da Rua", House at the End of the Street, de Mark Tonderai, com Jennifer Lawrence, Elisabeth Shue. País: E.U.A. Duração: 101 minutos. Uma mãe, Sarah, e a sua jovem filha, Elissa, abandonam a sua velha residência e mudam-se para um novo bairro, ficando a viver não muito longe de uma casa sobre a qual se conta uma história assustadora: aparentemente tinha sido habitada por uma rapariga que sofria de ataques psicóticos e que matou os pais. Este caso tem vários anos e a rapariga há muito que fora levada pelas autoridades, mas as novas vizinhas descobrem que a verdade não é bem a que lhes foi contada. O pior é que Elissa pode vir a dar continuidade à arrepiante história.
  •  
  • "A Locura de Almayer", La Folie Almayer, de Chantal Akerman, com Aurora Marion, Stanislas Merhar. País: França. Duração: 127 minutos. Um ocidental aventura-se por aldeias em regiões inóspitas no sudoeste da Ásia a fim de ganhar dinheiro e bens para enviar à sua amada filha Nina. Contudo, a sua personalidade gananciosa supõe um obstáculo à concretização dos seus desejos.
  •  
  • "Bellamy", Bellamy, de Claude Chabrol, com Gérard Depardieu, Clovis Cornillac. País: França. Duração: 110 minutos. Este é um dos últimos filmes de Chabrol, protagonizado pelo polícia Paul Bellamy que, com a mulher Françoise, vai passar mais uma vez as férias na sua casa em Nîmes. Porém, estas férias não serão iguais a todas as outras: o meio-irmão de Paul, Jacques, alcoólico e boémio, instala-se em casa e Noel Gentil, um desconhecido, tenta contactar o polícia e pedir-lhe protecção, tudo por causa de um enredo que Paul vai tentar resolver com Françoise.
  •  
     
  • "Um Feliz Evento", Un heureux événement, de Rémi Bezançon, com Louise Bourgoin, Pio Marmai. País: França. Duração: 107 minutos. Dois jovens adultos envolvem-se numa relação fulgurosa que resulta numa gravidez inesperada. No entanto, o membro masculino do casal sente dúvidas quanto à sinceridade da sua união e do seu amor.
  •  
  • "007 Skyfall", Skyfall, de Sam Mendes, com Daniel Craig, Javier Bardem. País (es) : E.U.A., Reino Unido. Duração: 143 minutos. Na nova aventura em que é posto à prova o agente especial 007 James Bond, a sua capacidade de sobrevivência vai ser-lhe muito importante. A lealdade de M treme perante recordações do passado e um substituto vai ser procurado. Um novo inimigo vai ser dado a conhecer. O MI6 é atacado e James Bond terá de recorrer a todos os meios para resolver a situação.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A última rainha

"Adeus, Minha Rainha" é o mais recente filme de Benoît Jacquot. Esteve presente em vários festivais de cinema nos últimos tempos e tem sido bem recebido pelos críticos.
 
Esta película retrata os últimos dias de vida de Maria Antonieta desde uma perspectiva diferente do habitual. Desta vez, o protagonismo vai para Sidonie Laborde, que trabalha para a rainha como leitora e assiste aos momentos de desespero anteriores à queda da monarquia. Entre as duas mulheres trocam-se confidências e futilidades pautadas pelas leituras de Laborde, que lê enquanto a rainha se diverte a imaginar as palavras lidas ou a ver ilustrações que acompanham alguns textos. Também são mostrados instantes da vida da leitora enquanto mera cortesã no palácio que cria amizades e inimizades e é estudada a relação entre Maria Antonieta e a sua íntima amiga Gabrielle de Pollignac, que roça o amor e que cria algum alvoroço na mente de Sidonie.
 
"Adeus, Minha Rainha" é uma interessante exposição da vida secreta de alguns dos inquilinos do Palácio de Versailles, de personagens históricas menos conhecidas e da suposta bissexualidade de Maria Antonieta. O filme aborda os seus temas de maneira aberta, mas subtil.
A escolha de actores parece-me acertada, o guarda-roupa é esplendoroso e os efeitos sonoros e imagísticos estão bem conseguidos. O retrato da vida na época também me parece correcto.
É um bom filme que vê com calma. Não é magnífico, mas vale a pena dar-lhe uma espreitadela.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Adeus, Wakamatsu-sama!

É comum anunciar a morte de pessoas relacionadas com o mundo da Sétima Arte em notas de rodapé nos noticiários e, caso se trate de alguém com muitos admiradores e seguidores ou de alguém que protagonizou inúmeros escândalos, dedicar-lhes curtas metragens biográficas. Creio que o realizador japonês Kôji Wakamatsu, com filmes estreados em Portugal e homenagens à sua carreira sob a forma de cofres com o melhor da sua obra, não teve esse privilégio. Não vi nenhuma referência à morte nos noticiários (espero estar enganada), tendo apenas sabido da notícia através de um jornal generalista.
 
Kôji Wakamatsu nasceu a 1 de Abril de 1936 em Miyagi e morreu aos 76 anos, em Tóquio, no passado dia 17 de Outubro, após ser atropelado por um táxi. Tinha ainda a energia e a criatividade necessárias para continuar a realizar novos filmes. Foi responsável pela realização de várias dezenas de filmes, a maior parte pouco conhecidos fora do Japão.
Iniciou a sua carreira no cinema pornográfico. A sua carreira teve dois períodos áureos; no período marcado pela nouvelle vague e a vontade de criar cinema revolucionário, de autor, pessoal, Wakamatsu deixou a sua pegada no chamado pink cinema, um movimento cinematográfico nipónico de natureza erótica, com mensagens de cariz político e um toque muito pessoal; recentemente, Wakamatsu voltou a mostrar o seu valor como realizador com filmes que pouco retinham do movimento pink, mas que punham em causa o poder e os governos e ganharam grande reconhecimento internacional, tais como Exército Vermelho Unido e O Bom Soldado.
 
Os críticos de cinema destacam na fimografia de Wakamatsu a sua independência enquanto cineasta, a sua vontade de contrariar os ideais aceites pelos regimes vigentes e o modo respeitoso como retratava o sexo feminino, de elevá-lo a um nível que poucos fariam.
 
Boa estadia onde quer que esteja, Wakamatsu-sama!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Estreias da semana

Eis a lista das estreias da semana de 18 de Outubro de 2012:
 
  • "A Cidade do Teu Destino Final", The City of Your Final Destination, de James Ivory, com Charlotte Gainsbourg, Omar Metwally. País: E.U.A. Duração: 117 minutos. Um estudante iraniano, Omar Razaghi, recebe uma bolsa para escrever uma biografia sobre o autor latino-americano já falecido Jules Gund. Infelizmente, no primeiro semestre em que é activada a bolsa, os herdeiros e proprietários dos direitos de autor de Gund recusam-se a proporcionar dados para a escrita da biografia. A conselho da namorada, Omar viaja para o Urugai a fim de inverter a posição das pessoas próximas do autor. Elas vivem numa velha mansão de Gund e surpreendem-se com a visita do estudante, uma visita que trará problemas de convivência e dúvidas pessoais aos inquilinos. Omar é influenciado pela atmosfera em que vive aquela família de sangue e de negócios de Gund e começa também a questionar a vida e se tem tido um papel nos rumos que a sua existência tem tomado.
  •  
     
  • "A Cilada", Setup, de Mike Gunther, com 50 Cent, Bruce Willis. País: E.U.A. Duração: 85 minutos. Sonny e Vincent, dois amigos de longa data, unem-se para efectuar um elaborado assalto. No entanto, Vincent trai o amigo e foge com o dinheiro do saque. Sonny decide vingar-se, associando-se a um chefe da máfia local, mas quando finalmente é confrontado com o amigo capturado, vacila e pergunta-se até que ponto a sua vida irá mudar com a sua vingança.
  •  
  • "Astérix e Obélix: Ao Serviço de Sua Majestade", Astérix et Obélix: Au Service de Sa Majesté, de Laurent Tirard, com Edouard Baer, Gérard Depardieu. País: França. Duração: 109 minutos. Em mais um filme inspirado na mais famosa série de banda-desenhada de René Goscinny e Albert Uderzo, mais precisamente nos livros "Astérix entre os Bretões" e "Astérix e os Normandos", os protagonistas vão viver grandes aventuras em duas ou até a três dimensões. A narrativa fílmica inicia-se com a invasão da Bretanha por parte das legiões romanas, comandadas por Júlio César. A rainha bretã, Cordelia, ao ver os seus súbditos mais valentes perderem as forças perante o inimigo, envia o seu funcionário Anticlímax à Gália procurar ajuda na aldeia de Astérix e Obélix, conhecida por resistir ferozmente às invasões romanas. Compreendida a gravidade da situação, Anticlímax regressa à Bretanha com um barril da poção fortalecedora de Panoramix na companhia de Astérix, Obélix e o rapaz que estava à guarda de ambos, o irritante Justforkix, sobrinho do chefe da aldeia.
  •  
  • "Frankenweenie", Frankenweenie, de Tim Burton, com as vozes de Catherine O'Hara, Charlie Tahan. País. E.U.A. Duração: 87 minutos. Esta é a versão longa de um projecto cinematográfico realizado por Burton há vários anos e que por sua vez se inspira nalgumas ideias fulcrais do romance "Frankenstein" de Mary Shelley. O filme é protagonizado pelo jovem Victor, que se sente devastado quando o seu adorado cão Sparky é atropelado mortalmente. Após aprender alguns conceitos sobre electricidade e física na escola, Victor decide pô-los em prática para ressuscitar com sucesso Sparky. No entanto, o regresso do cão ao mundo dos vivos assusta e arrepia muitas pessoas. Victor vai ter de provar que Sparky continua a ser o mesmo cão que todos conheciam e que o adora com sempre o adorou.
  •  
  • "Galinha com Ameixas", Poulet aux Prunes, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, com Mathieu Almaric, Maria de Medeiros. País: França. Duração: 93 minutos. Na Teerão de 1958, Nasser Ali Kahn é famoso pela sua arte a tocar violino. O filme acompanha uma semana dolorosa da sua vida. Ele perde o seu instrumento às mãos da mulher após uma discussão.  Desgostoso, sem conseguir encontrar outro violino como o seu, percebe que a vida sem música não tem sentido para si. Acaba por perder a vontade de viver, mas as suas tentativas de suicídio não têm sucesso. Fecha-se no quarto, dedicando-se a sonhar e relembrar a infância ou pensar no futuro dos filhos.
  •  
  • "O Dia do Juízo Final", Unthinkable, de Gregor Jordan, com Carrie-Ann Moss, Samuel L. Jackson. País: E.U.A. Duração: 97 minutos. Um acto de terrorismo assusta os Estados Unidos. Em três pontos do país há três bombas nucleares a ponto de rebentarem e faltam apenas dois dias para desactivá-las. Um único homem sabe onde estão instaladas as bombas. Contudo, para espanto de um agente do FBI, Brody, o terrorista já se encontra detido e um interrogador está a tentar recolhar os dados que consegue recorrendo a todos os meios que conhece. Contudo, a situação parece estar estagnada e, com a data da explosão a aproximar-se, as discussões entre os agentes e o terrorista começam a azedar e a necessidade de fazer torna-se mais que urgente.

domingo, 14 de outubro de 2012

Amizade e o fim do mundo

Ontem visionei com uma amiga a comédia dramática "Até que o Fim do Mundo nos Separe" numa sala de cinema a abarrotar de gente... Não, serei sincera, comigo e ela só estavam mais quatro pessoas na sala. Claro que isso não ditava quão boa ou má seria a película.
 
O filme tem como tema o fim do mundo, algo que já deu azo a outras tantas obras. A diferença é que esta toma um rumo mais cómico.
Dodge é um funcionário numa empresa de seguros e a mulher, infiel e aborrecida com a relação com o marido, foge quando se sabe pelos meios de comunicação que falhou uma missão que iria deter um asteróide de colidir com a Terra e que o embate irá ocorrer dentro de três semanas. Penny é uma imigrante inglesa que já teve vários desgostos amorosos, mas que permanece optimista perante a vida e o fim do mundo.
A humanidade reage das mais diversas maneiras à triste notícia. Ocorrem motins, encerram-se lojas e empresas, enquanto outros prosseguem com as suas vidas ou aproveitam para experienciar algo novo. Dodge planeava continuar algumas rotinas e descansar, apesar de os amigos de longa data o encorajarem a encontrar uma nova namorada, beber todo o álcool que puder e experimentar drogas.
Dodge acaba por perceber que não quer totalmente a solidão e encontra acidentalmente dois amigos: um cão abandonado e Penny, a vizinha jovem e ruidosa. Através de Penny recebe uma carta extraviada onde uma namorada do liceu revela que nunca deixou de o amar. Após escaparem de um motim no carro de Penny, Dodge diz que vai rever a primeira namorada e que vai disponibilizar um avião para a companheira de viagem realizar também um último desejo: rever a família. Mas surgirão imprevistos antes de tal acontecer.

O filme, apesar da sua temática, aborda-a de um modo leve e com muitas situações cómicas, como o choque entre as atitudes dos jovens responsáveis pelos motins e os velhos amigos de Dodge, que oferecem bebidas alcóolicas aos filhos pequenos e recebem com grande alegria uma pequena carga de heroína. O poder da amizade está bem retratado no filme. A prestação de Keira Kinghtley e o humor são quiçá os melhores elementos do filme.
No entanto, o filme envereda por um desenlace dito previsível que não seria de esperar. O amor é algo que pode surgir espontaneamente, através de anos de convivência, como fruto de uma amizade. Contudo, a maneira como a relação entre Dodge e Penny evolui é apressada e torna-se um tanto inverosímil e exagerada. A utilização da expressão o amor da minha vida não é a melhor.
"Até que o Fim do Mundo nos Separe" é um filme ligeiro e agradável de se visionar, mas é mais um bom entertenimento que um bom filme.

Amor em Roma

O mais recente filme de Woody Allen, "Para Roma com Amor", retoma a viagem cinematográfica do realizador pela Europa, desta vez com paragem na capital italiana. Allen volta a estar do outro lado do ecrã, incorporando um elenco que conta com actores norte-americanos, italianos e uma espanhola fluente em língua italiana, Penélope Cruz.

O filme embarca quatro narrativas que não se cruzam, apesar de terem pontos em comum e de Roma ser o seu local de acção. Por um lado temos um conto que começa por focar-se em Hayley, uma jovem turista que se apaixona pelo italiano Michelangelo, tendo a ideia de convidar os pais a conhecerem o amado e a sua família; no entanto, os progenitores dos namorados contrastam em ideais e ocupações laborais e não recebem de igual maneira o projecto artístico que surge na cabeça do pai de Hayley, um ex-encenador de óperas, após este escutar o pai de Michelangelo cantar maravilhosamente uma ária no chuveiro. Do outro lado temos um arquitecto estrangeiro com uma longa carreira que se encontra com um estudante de arquitectura e se torna numa espécie de seu conselheiro em várias áreas, como a sentimental. Há ainda espaço para satirizar a fama e a sua efemeridade através do caso de Leopoldo, um funcionário comum com uma família e uma vida normais que de um dia para o outro se torna famoso sem razão aparente e sê perseguido por paparazzi que querem saber tudo sobre ele. Por último, é apresentado um casal ingénuo e muito jovem vindo de uma zona rural que vai à procura de uma vida melhor em Roma graças a uma oportunidade de trabalho para o marido, até que sucedem imprevistos; enquanto ela se perde na grande e mágica cidade à procura de um cabeleireiro e trava conhecimento com alguns dos seus actores preferidos, ele é visitado por uma prostituta que por engano entra no seu quarto de hotel.

Muitos se queixam de que este filme tem algo de postal turístico de Roma, mas a verdade é que Woody Allen apenas quer homenagear o que a cidade tem de belo e a aura que a capital italiana transmite a estrangeiros e mesmo aos italianos. Já li uma crítica que afirmava que o uso do famoso Nel blu dipinto di blu no início e no final do filme faria um italiano levar a mão à testa perante a escolha um pouco óbvia, contudo essa canção não é uma antiguidade risível para muitos: é algo nostálgico, quer o espectador goste da canção ou não, e realça o encanto de Roma.
As narrativas têm muitos aspectos cómicos, sejam personagens ou situações, e fiéis ao estilo de escrita de Allen, servindo também como um elogio ao cinema cómico italiano que inspirou o realizador. Há também um lado satírico nalguma desta comédia, seja no modo como a fama é idolatrada, nos contrastes entre pessoas de diferentes países ou na ingenuidade e espanto com que o elemento rural reage o urbano.
Os actores foram bem escolhidos e a banda-sonora adequa-se ao clima romântico/cómico.
Vale a pena visionar o filme "Para Roma Com Amor".