quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Estreias da semana

Mais uma semana, mais estreias invadem os cinemas.

  • "Balas e Bolinhos 3 - O Último Capítulo", de Luís Ismael, com Luís Ismael, Jorge Neto. País: Portugal. Duração: 85 minutos. Na última parte desta trilogia cómica de origem portuguesa Culatra, Rato e Bino regressam às suas aventuras e desventuras. As vidas dos três criminosos trapalhões continuam difíceis, mas a chegada de um antigo conhecido, Tone, que veio ajudar o pai a superar um complicado problema de saúde, vai piorar o panorama. Os quatros embarcam numa viagem incrível repleta de problemas de situações rocambolescas.
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  • "Os Humanos", The Divide, de Xavier Gens, com Michael Biehn, Lauren German. País: E.U.A. Duração: 112 minutos. Com a queda de uma bomba atómica em Nova Iorque, oito vizinhos que praticamente não se conhecem abrigam-se na cave profunda do prédio que habitam. As condições do local, como a temperatura elevada e a falta de mantimentos, começam a afectar rapidamente os vizinhos tanto a nível físico como psicológico. A mais jovem inquilina, Julie, observando os comportamentos provocados pelo isolamento, percebe que só através do egoísmo e e alguma maldade conseguirá sobreviver.
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  • "Ruby Sparks - Uma Mulher de Sonho", Ruby Sparks, de Jonathan Dayton, Valerie Faris, com Paul Dano, Zoe Kazan. País: E.U.A. Duração: 104 minutos. Calvin, um jovem escritor de sucesso, cria uma personagem literária de nome Ruby Sparks, pela qual começa inesperadamente a apaixonar-se. Uma semana após a criação de Ruby, Calvin encontra-a, transformada numa mulher de carne e osso, sentada no sofá do seu apartamento. Além disso, se o jovem acrescenta um novo detalhe à descrição da Ruby literária, este torna-se realidade. Como lidará Calvin com esta mulher e que fim terá o romance por ela protagonizado?
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  • "Selvagens", Savages, de Oliver Stone, com Blake Lively, Benicio del Toro. País: E.U.A. Duração: 131 minutos. Ben e Chon, dois jovens empresários, partilham um negócio de plantação e venda de marijuana e o amor de uma rapariga, Ophelia. Um dia, Ophelia é raptada por um quartel de droga bastante violento que vai testar os laços empresariais entre Ben e Chon, que se irão aliar a um agente corrupto para salvar a amada e desmantelar aquele quartel.
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  • "Terapia a Dois", Hope Springs, de David Frankel, com Tommy Lee Jones, Meryl Streep. País: E.U.A. Duração: 100 minutos. Após três décadas de dedicação ao casamento e aos filhos, Kay e Arnold começam a sentir algum tédio e desejam contrariá-lo e reavivar a sua relação. Ambos partem, um pouco contra a vontade de Arnold, para a cidadela de Great Hope Springs, onde estão dispostos a serem submetidos a uma semana de sessões de aconselhamento conjugal organizadas por um afamado especialista. Conseguirá o casal afastar as suas desavenças e reatar o fogo amoroso que os uniu?

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Estreias da semana

Estas são as cinco estreias desta semana:
 
  • "Bonsai", Bonsái, de Cristián Jiménez, com Nathalia Galgani, Diego Noguera. País: Chile. Duração: 95 minutos. Julio, um tímido apreciador da obras de Marcel Proust e estudante de Literatura, apaixona-se por Emilia, uma colega mais interessada no movimento punk. Mais tarde, para conseguir conquistar o coração de uma nova amada, Julio começa a escrever um livro em que aborda a sua primeira experiência amorosa, fingindo tratar-se de um texto que está a editar. O jovem irá assim recordar o seu primeiro amor e a inocência perdida enquanto é explorada a sua relação com as mulheres e os livros.
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  • "Desafio Total", Total Recall, de Len Wiseman, com Colin Farrell, Kate Beckinsale. País: E.U.A. Duração: 118 minutos. Trata-se de um filme inspirado num conto de Phillip K. Dick e na película homónima de 1990, igualmente baseada nesse texto. Douglas Quaid, um trabalhador numa fábrica com uma relação amorosa estável, visita a empresa Rekall para quebrar a monotonia da sua vida. Na Rekall, os sonhos podem transformar-se em memórias reais, pelo que Quaid vai solicitar que no seu passado constem aventuras de espionagem. No entanto, algo corre mal durante o processo de transformação dos sonhos em memórias e Quaid descobre que se tornou num homem perseguido pela polícia.
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  • "Morangos com Açúcar: O Filme", de Hugo de Sousa, com Sara Matos, Lourenço Ortigão. País: Portugal. Duração: 85 minutos. Diversas jovens personagens, algumas já conhecidas do público da telenovela em que se baseia este filme, vão aproveitar as férias ao máximo, entre praias e parques de recriação, vivendo o amor e o desamor, a euforia e a diversão. Porém, o grande evento do Verão é um festival de bandas musicais que trará muita alegria, emoção e cor aos jovens.
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  • "Oslo, 31 de Agosto", Oslo, 31. August, de Joachim Trier, com Anders Danielsen Lie, Ingrid Olava. País: Noruega. Duração: 95 minutos. Nesta obra já premiada em festivais e muito elogiada pelo público, o protagonista é Anders, um homem que está prestes a terminar um tratamento de desintoxicação e que recebe uma permissão de um dia para ir a Oslo ser entrevistado para um emprego.  Anders aproveita para deambular pela cidade, reencontrar pessoas conhecidas e pensar na sua vida - sente-se velho pelas oportunidades perdidas e pelo quanto magoou certas pessoas. Ao chegar a noite, ele percebe que a sua vida não acabou e que poderá voltar a sentir o amor, começar uma nova etapa e ter esperança num futuro melhor.
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  • "As Mulheres são Heroínas - Women are Heroes", Women are Heroes, de JR, documentário. País: França. Duração: 85 minutos. O artista francês JR viaja até vários locais pouco favorecidos da África, da América do Sul e da Ásia. JR transforma ruelas, muros, favelas em galerias de arte urbana, enfrentado os transuentes com uma nova forma de beleza e assuntos actuais. Apresenta mulheres de diversas origens em diferentes situações através da arte, da filmagem, tentando contar histórias sobre o que nos une enquanto humanos.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Coragem, risos, ternura

Visionei anteontem com um grupo de amigos o novo filme da Disney e da Pixar, "Brave - Indomável", realizado por Brenda Chapman, Mark Andrews e Steve Purcell e dedicado a Steve Jobs. A versão escolhida foi a original em duas dimensões, por interesse em escutar o sotaque escocês natural a alguns dos dobradores britânicos e que os restantes tentaram recriar com sucesso.
Antes do filme ser exibido, uma curta-metragem dos mesmos estúdios, La Luna, de Enrico Casarosa e nomeada para o Óscar de 2012 para Melhor Curta-Metragem Animada, encheu o ecrã. Tratava-se de um belo e cintilante conto centrado em dois idosos e um menino que cuidam e ajudam a Lua a mudar de fases.
 
"Brave - Indomável" narra as vivências de Merida, uma princesa escocesa de longos cabelos ruivos e filha primogénita dos reis, que se destaca pelo seu carácter aventureiro, o conhecimento que tem das florestas à volta do castelo e as suas habilidades, como montar a cavalo, dedicar tempo à falcoaria e dominar o arco e a flecha, estas duas últimas consideradas pouco femininas pela mãe, a rainha Elinor.
Quando Merida alcança uma determinada idade, a mãe propõe a três lordes das proximidades que convidem os seus primogénitos a pedir a mão da filha em casamento. Surpreendentemente, todos os lordes, MacGuffin, Macintosh e Dingwall, aceitam a proposta e viajam até ao ao centro do reino com os filhos mais velhos. Devido ao número de pretendentes, jovens serão forçados a vencer um torneio para poderem casar com a princesa. Merida, nada satisfeita com o plano que a rainha estava a esboçar nas suas costas, decide que os três terão de lutar por ela num torneio de arco e flecha.
No dia da prova de arco e flecha, Merida revela as razões da sua escolha, sendo o principal o de vencer os príncipes e permanecer solteira, quebrando os cânones. Como seria de esperar, a experiência e a valentia de Merida ajudam-na ser declarada a melhor arqueira. Porém, a ousadia da princesa é posta em causa, além de irritar bastante a rainha Elinor.
Merida recusa-se a ceder ao destino que a mãe tem traçado para ela e, enquanto tenta acalmar-se na floresta, depara-se com uma bruxa que realiza um feitiço que supostamente ajudará a princesa a traçar o futuro de acordo com o que dita o seu coração. No entanto, o feitiço é na realidade uma maldição que Merida terá de enfrentar com coragem, maturidade e o poder do seu coração.

Mais uma vez, os estúdios Pixar oferecem aos seus fãs uma belíssima película sobre o amor, a amizade, a bravura e a necessidade de defender os nossos ideais. É um filme que contém bastante mais momentos cómicos do que o trailer parece anunciar, apresentando igualmente momentos muito ternurentos. Apesar de a narrativa conter alguns elementos e traços familiares a este tipo de filme, tem um calor própio dos clássicos do cinema animado e dos contos de fadas e uma mescla de pormenores que tornam "Brave - Indomável" numa obra muito recomendável.
Os aspectos técnicos estão bem conseguidos. A animação digital tem fluidez, os espaços revelam um  minucioso estudo prévio, o sotaque escocês está presente em todos os diálogos e a banda sonora recorda a música de influência celta com referência a elementos da natureza. Mesmo a mitologia local, a presença forte da figura temida do urso ou as pequenas chamas de fogo-fátuo surgem em Brave.
As personagens são carismáticas e Merida, a primeira princesa de um filme assinado pela Pixar, é a representação da força que a nossa insistência e a nossa vontade podem ter.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Estreias da semana

São estas as estreias nas salas portugueses nesta semana de 23 de Agosto de 2012:
 
  • "2 Dias em Nova Iorque", 2 Days in New York, de Julie Delpy, com Chris Rock, Julie Delpy. Países: Alemanha, Bélgica, França. Duração: 96 minutos. Trata-se da sequela do filme igualmente realizado por Delpy, "2 Dias em Paris". Marion separou-se de Jack e vive em Nova com os filhos e o novo namorado, Mingus, que também tem rebentos de uma relação anterior. A pouco tempo de ter lugar uma exposição de fotografias de Marion, o pai e a irmã decidem visitá-la inesperadamente. Sucede então, ao longo da estadia, um choque entre a cultura norte-americana cosmopolita do novo casal e da família estranha e extravagante de Paris, que teve o infortúnio de convidar o ex-companheiro para ver a exposição e para rever Marion.
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  • "360: A Vida é um Círculo Perfeito", 360, de Fernando Meirelles, com Jude Law, Rachel Weisz. Países: Áustria, França, Brasil, Reino Unido. Duração: 110 minutos. O filme é inspirado pela obra A Roda, de Arthur Schnitzler e a narrativa traça uma rede de ligações pessoais que se entrelaçam e que percorrem todo o mundo. Tudo é desencadeado pela promessa de fidelidade de um marido à sua mulher, passando por crises e revoluções e o poder do amor.
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  • "O Legado de Bourne", The Bourne Legacy, de Tony Gilroy, com Jeremy Renner, Rachel Weisz. País: E.U.A. Duração: 135 minutos. A trama dos anteriores filmes da série é expandida e sofre importantes alterações. Aaron Cross, um novo protagonista, vai lidar com as consequências das aventuras do Jason Bourne cinematográfico lhe impõem.
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  • "O Samaritano", The Samaritan, de David Weaver, com Ruth Negga, Samuel L. Jackson. País: Canadá. Duração: 90 minutos. Após um quarto de século na cadeia, Foley decide recomeçar uma nova vida sem criminalidade. No entanto, o filho de um antigo sócio quer que ele o ajude num plano. Foley tenta afastar-se do seu passado, mas os segredos que o jovem Ethan partilha com ele e a insistência do mesmo não querem permitir que Foley abandone o seu velho eu e recomece uma nova etapa com uma nova mulher, Iris.
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  • "Piranha XXL", Piranha 3DD, de John Gulager, com Christopher Lloyd,  Ving Rhames. País: E.U.A. Duração: 83 minutos. Na sequela de "Piranha", os sanguinários peixes invadem um novo parque aquático. Os directores do parque e um grupo de estudiosos terá de perceber como capturar as piranhas e evitar assim o caos.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O fim do mundo segundo Ferrara

A semana passada visionei o mais recente filme do realizador nova-iorquino Abel Ferrara, "4:44 Último Dia na Terra", que já esteve a concurso em vários festivais de cinema como o de Veneza e Lisboa & Estoril. Apesar de bem recebido por vários críticos, teve pouco sucesso comercial e não atraiu a atenção dos mídia.

A acção do filme decorre na Nova-Iorque actual e a narrativa inicia-se na tarde da véspera do último dia da humanidade na Terra. A camada de ozono que cobre o planeta dissipar-se-á mais ou menos às 4:44 da madrugada seguinte, permitindo ao Sol penetrar o planeta com toda a sua força e dizimar a maior parte dos seres que nele habitam, humanos incluídos. Não há maneira nem meios para escapar à tragédia e poucos são os que contestam o fim.
Cisco, divorciado e com uma filha, e Skye, pintora, vivem juntos num apartamento e desfrutam das suas últimas horas juntos, fazendo os possíveis para manter a sanidade e aproveitando para despedir-se dos familiares, dos amigos e da cidade através da tecnologia e de uma última caminhada pela zona.

"4:44 Último Dia na Terra" é uma obra trágica com personagens que parecem aceitar os seus destinos sem questionarem o inevitável. No entanto, esta aceitação é bem mais complexa  do que aparenta e um dos protagonistas tem até a infelicidade de testemunhar um par de suicídios e experimentar a vontade de realizar acções, como consumir drogas injectáveis, ao perceber que não mais verá a filha nem a amante nem os que o rodeiam. Abel Ferrara assina aqui um drama com umas pitadas de ficção-científica; não há, porém, que tentar compreender as teorias são explicadas brevemente no filme e porão fim à vida humana. 4:44 Last Day on Earth não pretende perder o tempo com a ciência, mesmo contado com a presença de Al Gore e de documentários sobre o que conduziu a humanidade à tragédia, visto que o que interessa mostrar ao espectador são as reacções humanas prévias ao final da madrugada. No fundo, quer-se que o espectador se pergunte o que faria numa situação semelhante, com pouco tempo para viver, poucas oportunidades a aproveitar e com um grande ser sobre os ombros a relembrar-lhe que não falta muito para se juntar ao pó e às cinzas.
A representação está bem trabalhada na película, apostando no realismo das emoções e no retrato do medo de tudo perder e creio que a presença de uma diversidade de personagens é benéfica: além do contraste entre as personalidades de Cisco e Skye e entre os modos de pensar dos homens que falam nas televisões (Dalai Lama, Al Gore, um suposto guru e instrutor de ioga que Skye escuta com atenção), há os familiares dos protagonistas, o jovem vietnamita que entrega a sua última refeição ao domicílio e a quem é emprestado o portátil para uma última chamada por Skype aos pais, as pessoas que circulam nos seus carros a caminho de casa e amigos que querem voltar a drogar-se e a beber, já que nada mais podem fazer. Esta abundância de situações preenchem a narrativa, permitindo explorar um microcosmos (Cisco/Skye) e a humanidade em geral, tanto em Nova-Iorque, como noutras cidades, inclusive através das televisões.
Muitos recordarão o filme "Melancolia", de Lars von Trier, que abordava uma temática semelhante. Contudo, a possibilidade de o mundo acabar nesse filme não é tão inconstestável e o núcleo de personagens e a área que surgem são mais restritos. A família retratada apresenta uma frieza maior que as personagens de Ferrara e parece querer isolar-se numa propriedade, como que tentando escapar do ruído do mundo e encarar o destino sem nervosismo e sem tristeza. Ambos filmes são bons, mas considerá-los mais do que isso seria exagerado. O título aqui criticado, de Ferrara, aparenta ser melhor que o de von Trier.
"4:44 Último Dia na Terra" tem defeitos. A narrativa e as personagens parecem não ter sido totalmente exploradas e a inclusão de pensamentos mais filosóficos e de mais um que outro diálogo faria bem ao filme. Mas vê-lo é uma experiência interessante.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Estreias da semana

Hoje estreiam vários filmes nas salas portuguesas, aproveitando o feriado que permite a muitos dirigirem-se aos cinemas sem se preocuparem os horários laborais. Amanhã há outra estreia.

  • "A Casa na Floresta", The Cabin in the Woods, de Drew Goddard, com Kristen Connolly, Chris Hemsworth. País: E.U.A. Duração: 95 minutos. Cinco amigos vão passar um fim-de-semana a uma casa isolada na floresta que parece guardar muitos mistérios. Quando a porta de uma adega caseira se abre como que por magia, os cinco deparam-se com uma série de relíquias curiosas; uma das raparigas do grupo, ao folhear um livro, desperta uma família de arrepiantes caçadores de zombies. Tentado perceber o que esconde aquele local, os amigos investigam a casa, não desconfiando que estão todos a ser vigiados.
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  • "Brave - Indomável", Brave, de Brenda Chapman, Mark Andrews, Steve Purcell, com as vozes de Kelly MacDonald, Billy Connolly na versão original e as vozes de Daniela Ruah, Paulo Oom na versão portuguesa. País: E.U.A. Duração: 100 minutos. O novo filme de animação da Pixar tem como local da acção a Escócia medieval e é protagonizada por Merida, uma jovem que deseja viver à sua maneira, extremamente hábil com o arco e as flechas, aventureira e filha mais velha do rei Fergus e da rainha Elinor. Quando a princesa quebra um costume ancestral, o seu reino vai sofrer ameaças e o caos instala-se. Merida pede ajuda a uma bruxa, só que ela, ao invés de devolver a paz à região, conjura uma maldição horrível. A princesa vai então ter de confiar em si e ganhar coragem para enfrentar o problema.
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  • "O Coração da Tempestade", The Eye of the Storm, de Fred Schepisi, com Geoffrey Rush, Charlotte Rampling. País: Austrália. Duração: 119 minutos. Os irmãos Basil e Elizabeth regressam à sua terra-natal, na Austrália, para verem a mãe, idosa e com grande vontade de escrever o seu testamento. A velha Elizabeth Hunter, uma mulher rica que submete todos à sua vontade, sejam filhos, criados ou a enfermeira que a acompanha, não vai deixar que a idade a impeça de satisfazer uma das suas últimas vontades. A senhora Hunter quer escolher a quem vai deixar a herança e quando vai morrer.
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  • "O Futuro", The Future, de Miranda July, com Miranda July, Hamish Linklater. País: E.U.A. Duração: 90 minutos. Um casal decide adoptar um gato abandonado. Tal trará grandes mudanças às suas vidas, mais dos que as que esperavam; as suas perspectivas de vida alteram-se, bem como as noções de tempo e espaço, e a confiança que têm um no outro e na sua relação vai ser submetida a um teste. Esta película só estreia amanhã.
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  • "Os Mercenários 2", The Expendables 2, de Simon West, com Sylvester Stallone, Jean-Claude Van Damme. País: E.U.A. Duração: 102 minutos. O grupo que protagonizou a primeira parte de "Os Mercenários" regressa aos ecrãs para mais uma missão e com novos membros. Quando um dos membros do grupo inicial é assassinado, os aventureiros vão procurar vingar-se. Enfrentando inimigos e impedindo a aquisição de materiais radioactivos por parte de adversários dos seus países, tentam sobreviver num território hostil e preparam uma vingança contra aquele que matou um dos seus companheiros.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

As crianças perante o mundo

Aproveitando a estreia esta semana em Portugal de "O Meu Maior Desejo" e a exibição televisiva recente de "Pão Negro" na RTP2, vou fazer unir num só artigo as minhas críticas a ambos filmes. O facto de tanto um como outro serem protagonizados por crianças e jovens e centrarem-se nas suas visões do mundo que os rodeia é outro motivo para um artigo duplo.

Mencionarei primeiro o que vi há menos tempo, "Pão Negro", Pa Negre, que visionei inserido no ciclo Cinco Noites, Cinco Filmes da RTP2. É um filme espanhol de 2010 falado em castelhano e catalão que obteve vários prémios Goya da Academia de Cinema Espanhol em 2011, incluindo o de Melhor Filme do Ano. O realizador é Agustí Villaronga e o guião é baseado num romance homónimo de 2004 de Emili Teixidor.
A acção da película decorre no período que se seguiu à Guerra Civil Espanhola, num país já tomado pelo fascismo, na Catalunha rural. O protagonista, o pequeno Andreu, pertence a uma família cujas crenças contrariam as do regime.  Num dia normal Andreu descobre, entre as árvores a caminho de casa, um amigo ferido, Cullet, a sussurar a sua última palavra, Pintassilgo, e uma carroça partida junto a um cavalo e um homem mortos. A polícia desconfia que se trata de um crime e assume que a responsabilidade parcial ou total do crime é do pai de Andreu. O menino é enviado com o pai para a casa da mãe e das irmãs do segundo, que aproveita o sótão para se esconder; na casa moram também dois primos da idade de Andreu, Núria e Dionís. Andreu começa a frequentar a escola dos primos, enquanto tenta perceber quem cometeu o crime ao qual o pai é associado e quem é o Pintassilgo a que Cullet se referia no seu leito de morte, enquanto explora mitos da região e conhece personagens novas que lhe dão pistas e afectam a sua maneira de ver as coisas. No meio desta situação, Andreu vai crescer por dentro e desiludir-se com as mentiras e as desculpas dos adultos, de um mundo cruel e negro.
O filme está muito bem caracterizado, podendo o espectador sentir o negrume e a pobreza que abundavam na Espanha de Franco, particularmente no local de acção da narrativa. É interessante ver um filme que aborda um dos temas mais explorados no cinema espanhol escolher um olhar infantil prestes a entrar na adolescência e incluir a língua catalã, pouco conhecida no estrangeiro e pouco ouvida nas salas de cinema. As escolhas interpretativas são interessantes e eficazes.
É um bom filme, mas não fantástico. Já ouvi comentários à película pouco favoráveis aos papéis de Andreu e Núria, que são considerados um pouco inverosímeis e supostamente não reflectem os comportamentos normais de crianças em situações como aquela ou outras. A verdade é Andreu e Núria não tiveram infâncias normais e a sua maturidade é propositada; Andreu teve de lidar com as disputas entre ideias e crenças díspares incutidas pela família, pela escola e por amigos e é presenteado com contradições, situações estranhas e mentiras gravíssimas que alteram o seu ser; Núria perdeu o pai na guerra quando estava a lidar com o complexo de Electra freudiano, foi assediada por diferentes homens e perdeu uma mão numa explosão que lhe seria devolvida já carbonizada, pelo que não se importa de ser tocada por rapazes nem de fingir praticar feitiços.
"Pão Negro" é um filme que não recomendo aos mais sensíveis. Há sequências muito violentas, ainda que a pequena escala.

Noutro registo bem diferente está "Kiseki - O Meu Maior Desejo", que vi estando incluído no Festival de Cinema do Estoril. Trata-se de um filme japonês da autoria de Kore-Eda Hirokazu que já recebeu alguns prémios, nomeadamente pelo seu guião.
A narrativa fílmica tem como protagonista o jovem Koichi, filho de pais separados. Ele vive com a mãe e os avós, enquanto o irmão mais novo, Ryunosuke, vive com o pai, guitarrista num grupo de música rock, a uma distância considerável. Um dia, Koichi ouve um dos amigos mencionar um mito referente à nova linha férrea de comboios que une a cidadela onde vivem à região onde mora Ryunosuke: se revelarem verbalmente os seus maiores desejos no local e no momento em que dois comboios se cruzarem, circulando em sentido inverso, os seus pedidos serão concretizados. Koichi telefona ao irmão e fala-lhe do mito. Com o objectivo de pedir a reunião familiar, ambos combinam encontrar-se no tal local de cruzamento de comboios. Na sua companhia irão amigos que também têm desejos que querem concretizar: ressuscitar o gato recentemente falecido, casar-se no futuro com a professora que trabalha na biblioteca escolar ou tornar-se um ídolo popular. O filme também explora os problemas que enfrentam os adultos à sua volta.
"O Meu Maior Desejo" é uma homenagem aos sonhos e às ganas de aventuras características da infância. É um filme que retrata bem a força de vontade das crianças, mas também dos adultos e idosos, bem como o quotidiano dos japoneses na áreas urbanas mais pequenas. O realismo convive aqui com a magia dos pequenos mitos segredados entre pessoas e dos desejos, que nem se podem realizar. O drama relaciona-se bem com a comédia.
Os actores estão muito bem escolhidos e interpretam as suas personagens com verosimilhança e naturalidade. O facto de se apresentar algo sobre a situação de cada personagem principal e secundária aprofundiza a narrativa fílmica.
Este é um filme muito recomendável que vê com um sorriso.

De ambas películas, gostei mais de "O Meu Maior Desejo", mas creio que vale a pena ver estas duas obras tão diferentes e interessante, uma mais sombria e arrepiante, outra brilhante como uma estrela solar.