segunda-feira, 16 de abril de 2012

Voando sobre os problemas

"Voando Sobre um Ninho de Cucos", de título original One Flew Over the Cuckoo's Nest, é um dos mais aclamados filmes de Milos Forman, o realizador checo que se naturalizou estado-unidense e já ganhou dois Óscares da Academia Americana de Cinema como realizador. O filme data de 1975 e adapta para o grande ecrã um romance de Ken Kesey. Jack Nicholson protagonizou a película e foi bastante elogiado.

"Voando Sobre um Ninho de Cucos" retrata as vivências de diversos doentes e de profissionais de saúde num hospital psiquiátrico. R.P. McMurphy, a personagem principal, um homem violento que se quer ver livre do campo de trabalhos forçados onde está a cumprir uma pena, é enviado para a instituição a fim de ser avaliado após apresentar comportamentos que roçam a loucura; no entanto, os psiquiatras desconfiam da autenticidade do seu temperamento. Esta chegada altera as rotinas e as atitudes dos outros doentes; McMurphy confronta e provoca a enfermeira-chefe da instituição, incentiva os pacientes a divertirem-se e a seguirem as suas vontades e ajuda-os lentamente, sem ser esse o seu objectivo inicial, a ganharem alguma independência mental.

Esta película é uma interessante e complexa obra sobre a descoberta do verdadeiro ser e dos seus impulsos, sobre pessoas que, como cucos, foram abandonadas num sítio que lhes dá uma identidade que não é a sua. "Voando Sobre um Ninho de Cucos" está muito bem orquestrado ao nível da recriação dos antigos tratamentos psiquiátricos que tentavam travar de maneira desumana a humanidade e a animalidade dos doentes.
Os actores interpretam impecavelmente os seus papéis. Nicholson é sempre eficaz no papel de rebelde ou de louco; Louise Fletcher interpreta uma enfermeira-chefe autoritária e ambígua com uma frieza arrepiante; Danny DeVito, Brad Dourif e os outros actores que interpretam os pacientes conferem a cada personagem um carácter próprio que vai lentamente desflorando-se ao longo da narrativa.
É um filme muito recomendável. 

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Estreias da semana

Estas são as estreias de hoje, dia 12 de Abril.

  • "12 Horas para Viver", Gone, de Heitor Dhalia, com Amanda Seyfried, Jennifer Carpenter. País: E.U.A. Duração: 94 minutos. Este filme narra um traumático episódio que envolve duas irmãs. Molly está desaparecida, mas Jill acredita que ela foi raptada pelo mesmo assassino em série implacável de cujo cativeiro escapou um ano antes. Os polícias não têm provas que tal tenha sucedido e prosseguem as suas próprias investigações, pelo que a desesperada Jill decide encontrar a irmã pelos seus próprios meios. No entanto, Jill não se encontra bem psiquicamente, significando que ela tanto pode estar a imaginar detalhes do desaparecimento como estar completamente certa.

  • "3", de Tom Tykwer, com Angela Winkler, Sebastian Schipper. País: Alemanha. Duração: 119 minutos. A narrativa centra-se inicialmente em Hanna e Simon, marido e mulher há cerca de vinte anos e que já atravessou muitas dificuldades conjugais. Surge então Adam, por quem ambos se acabarão por apaixonar. Adam mantém relações com os membros do casal separadamente, mas estas serão postas em causa quando Hanna engravidar.

  • "E agora, onde vamos?", Et maintenant, on va où?, de Nadine Labaki, com Claude Baz Moussawbaa, Leyla Hakim, Nadine Labaki, Yvonne Maalouf. País: França. Duração: 110 minutos. Depois de "Caramelo", Nadine Labaki volta a realizar um filme com guião escrito pela própria no qual participa como actriz. A narrativa trata de um grupo de mulheres libanesas que, quando visita os maridos falecidos na guerra com Israel a descansar no cemitério da área, se separa em dois grupos. Todas elas bem como os seus vizinhos têm de lidar com o confronto existente na aldeia entre a cristandade de uns e o credo muçulmano de outros.
  • "Espelho Meu, Espelho Meu! Há Alguém Mais Gira do que Eu?" (V.O. e V.P.), Mirror, Mirror, de Tarsem Singh, com Lily Collins, Julia Roberts. País: E.U.A. Duração: 106 minutos. Nesta versão em carne e osso do conto "Branca de Neve e os Sete Anões" dos irmãos Grimm, Branca de Neve é expulsa do reino pela malvada e narcisista madrasta e une-se a sete anões para recuperar o seu lugar como herdeira ao trono do seu pai.
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  • "Linha Vermelha", de José Filipe Costa. País: Portugal. Duração: 104 minutos. Com este documentário, o espectador poderá recordar o documentário "Torre Bela", de Thomas Harlan, filmado em 1975, que pretendia dar a conhecer melhor o caso da ocupação de uma herdade no Ribatejo pertencente aos duques de Lafões e os conflitos gerados entre os donos, os novos ocupantes e os militares lisboetas que tencionavam renovar o país após destronarem um regime ditactorial. O realizador regressa à zona onde a guerra de interesses teve lugar e tenta saber mais sobre a importância que o filme teve na família dos duques e nas pessoas que acompanharam, através das câmaras, toda a situação por trás de "Torre Bela".
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  • "Projecto X - Fora de Controlo", Project X, de Nima Nourizadeh, com Dax Flame, Oliver Cooper. País: E.U.A. Duração: 88 minutos. Três finalistas do secundário organizam uma festa com o objectivo de se tornarem mais populares. Contudo, o número de interessados aumenta, e quando a festa tem lugar, a variedade e a quantidade de participantes acaba por trazer problemas ainda maiores que os expectáveis, envolvendo bebida, drogas e até a polícia.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Singularidades de um cineasta

Há uns dias tive oportunidade de visionar pela primeira vez um filme de Manoel de Oliveira na íntegra. Era um dos mais recentes, "Singularidades de uma Rapariga Loura".
Já tinha visto alguns excertos de filmes de Oliveira. Uns pareceram-me interessantes, com diálogos complexos e meditativos, outros perfeitamente dispensáveis, meros exercícios de cinema. Oliveira é um dos mais respeitados cineastas portugueses e é o mais idoso em actividade e algo deverá ter pelo menos parte da sua obra para que ele seja elogiado como é. No entanto, desconfio tratar-se o senhor de Oliveira de um artista com um rol de obras de qualidade inconstante e que desagrada a muitos espectadores.
Este "Singularidades de uma Rapariga Loura" adapta um conto de Eça de Queirós aos tempos modernos. Macário trabalha nuns armazéns de venda de tecidos e que experimenta a paixão e a desgraça à custa de uma jovem que se refresca com um leque chinês enquanto passa a maior parte do tempo numa das divisões da casa familiar, cuja janela está em frente à da do escritório do protagonista. Macário conta toda a história que envolveu ambos a uma curiosa mulher num comboio a caminho do Algarve, sendo a narrativa central mostrada como uma série de analepses e memórias.

Certamente, esta não terá sido a melhor escolha para me iniciar no cinema de Manoel de Oliveira. "Aniki Bobó", "Douro, Faina Fluvial", "Vale Abraão" teriam sido talvez melhores apostas.
"Singularidades de uma Rapariga Loura" peca em muitos aspectos. Para já, a transposição da narrativa de Eça de Queirós podia ter sido mais criativa, mantendo aspectos do texto original, mas moldando-o a uma realidade contemporânea, tendo como exemplos de casos semelhantes mais bem-sucedidos "Romeu e Julieta" (Romeo+Juliet) ou "Coriolano" (Corialanus), entre outras adaptações da obra de Shakespeare ao grande ecrã. O filme de Oliveira, ao não conseguir esse feito, cria um filme de ficção inverosímil. Hoje faria sentido alguém ganhar uma fortuna com um negócio pequeno em Cabo Verde? Um romance como o de Macário e Luísa teria no Portugal actual um desfecho como aquele?
Outra das falhas de "Singularidades de uma Rapariga Loura" é a teatralidade dos actores. O seu tom e a sua postura em cena são quase artificiais, algo que noto em muitos filmes portugueses, que parecem recriações de peças de teatro exageradas em vez do que devem ser. O actor principal, Ricardo Trêpa, neto de Manoel de Oliveira, tem uma má prestação na película, desinspirada a maior parte das vezes e inverosímil.
Peço também ao senhor de Oliveira para ter cuidado com os lugares-comuns. Alguns aceitam-me, outros são inevitáveis, mas existem os definitavemente evitáveis e patetas. Uma mulher que ergue a metade inferior da perninha enquanto recebe um beijo é mais do um cliché, é uma imagem kitsch que hoje não tem grande valor.
O avançar da trama está bem conseguido, mas as falhas são demasiadas.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Estreias da semana

Estas são as estreias da semana de 5 de Abril de 2012. Os espectadores poderão reencontrar nas salas personagens suas conhecidas e um aplaudido filme português.

  • "American Pie: O Reencontro", American Reunion, de Hayden Schlossberg e Jon Hurwitz, com Jason Biggs, Alyson Hanigan, Sean William Scott, Tara Reid. País: E.U.A. Duração: 122 minutos. Possível capítulo final da série de filmes cómicos American Pie, gira à volta da evolução das suas personagens principais. Após casamentos, relações falhadas e um bebé, todos se encontram num fim-de-semana onde irão recordar o espírito juvenil que marcou as suas maiores aventuras e tudo o que passaram juntos.
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  • "ETs in da Bairro", Attack the Block, de Joe Cornish, com John Boyega, Jodie Whittaker. País: Reino Unido. Duração: 88 minutos. Este filme, dos mesmos produtores de Shaun of the Dead (a paródia aos filmes de zombies que recebeu em Portugal o patético título "Zombies Party - Uma Noite... de Morte", quando se poderia ter atribuído outro mais cómico, aproveitando o facto de o título ser um jogo de palavras com base noutro filme do género, Dawn of the Dead; este novo filme teve uma sorte similar na intitulação), é uma mistura de terror, ficção científica e comédia. A película é protagonizada por um grupo de delinquentes do Sul de Londres que vai defender o seu bairro contra uma invasão alienígena.
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  • "Na Terra de Sangue e Mel", In the Land of Blood and Honey, de Angelina Jolie, com Rade Serbedzija, Zana Marjanovic. País: E.U.A. Duração: 127 minutos. Esta é a estreia de Angelia Jolie como realizadora, assinando também o guião, que se inspirou no seu trabalho como embaixadora da ONU pelos refugiados e a necessidade de dar a conhecer o caso da guerra entre a Bósnia e a Sérvia. A narrativa centra-se num romance proibido entre Danijel, um soldado sérvio que reencontra num campo de guerra um velho amor, Ajla. Devido ao conflito, a relação entre eles sofre alterações.
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  • "Tabu", de Miguel Gomes, com Teresa Madruga, Laura Soveral. País: Portugal. Duração: 85 minutos. Este filme, premiado no Festival de Berlim deste ano com dois importantes prémios, rodado em grande parte a preto e branco, narra eventos do presente e do passado colonial português. Pilar é uma mulher que tenta endireitar e abrilhantar o mundo à sua volta, sendo uma das suas maiores inquietações a solidão da sua vizinha Aurora. Ela é uma velhota amarga que um dia faz um pedido que Pilar e a criada de Aurora, Santa, tentarão cumprir e que envolve um homem e algo ocorrido há cinquenta anos, quando a solitária velha tinha uma fazenda em África.
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  • "Titanic (3D)", Titanic 3D, de James Cameron, com Leonardo DiCaprio, Kate Winslet. País: E.U.A. Duração: 194 minutos. O filme de 1997 de Cameron que ganhou onze Óscares da Academia Americana de Cinema e rendeu cerca de 1,8 mil milhões de dólares em receitas de bilheteira a nível mundial regressa em formato de três dimensões. Os que gostaram do título poderão reviver a relação amorosa entre uma jovem da alta sociedade britânica e um rapaz americano pobre e liberal com alguns talentos artísticos, cujo amor quer quebrar barreiras.

domingo, 1 de abril de 2012

Herói tirano

Ontem visionei nos cinemas a mais recente adaptação britânica de uma peça de Shakespeare ao cinema. Coube a honra ao texto dramático "Coriolano", Coriolanus, uma tragédia de 1608 baseada nos feitos de um lendário militar romano, cujo espaço narrativo foi transposto para o mundo actual. Ralph Fiennes realiza e protagoniza o filme, rodado no Reino Unido, na Sérvia e em Montenegro.

Caio Márcio Coriolano, um general que defende a sua querida Roma contra os ataques de um grupo armado de volscos cujos territórios foram tomados, está prestes a ser designado cônsul. No entanto, precisa dos votos do povo romano, que despreza, apesar da sua importância para a decisão final do conselho da cidade. Obter esses votos é uma tarefa bem mais difícil do que Coriolano pensa, pois o povo desconfia de todos os seus feitos guerreiros, desafiando-o por limitar as liberdades civis e ter em tão baixa consideração os seus concidadãos. O general acaba por ser banido de Roma agressivamente, decidindo então vingar-se da cidade aliando-se ao seu grande inimigo de combate, o general volsco Tulo Aufídio.

O filme, seguindo a tradição de outras versões actualizadas de peças da Shakespeare, preserva os diálogos escritos em inglês antigo e une-as a elementos da sociedade moderna, como o meio televisivo, os telemóveis e redes sociais como maneira de transmitir informações, ou as armas utilizadas. Este aspecto, embora possa provocar estranheza em alguns, é bastante interessante e parece colocar o espectador perante um palco de teatro.
"Coriolano" é também uma narrativa que explora os meandros da democracia: é possível existir em pleno? Todos podem ser livres, ou precisam sempre de alguém que os dirija? Quem os dirige não poderá um dia acabar por ser tomado pela fome de poder?
Creio que o filme está bem construído e conseguiu alterar o espaço da peça original sem destruí-la e sem criar algo soporífero ou, por outro lado, algo mais parecido a um "blockbuster" de acção e aventuras. Há várias sequências que envolvem muitas armas e trocas de tiros que poderiam ser reduzidas, mas em si não enjaulam a mensagem política de "Coriolano".
O eleno está bem escolhido e Ralph Fiennes é bastante convincente no papel do controverso general Coriolano, com a cabeça rapada, um olhar azul e penetrante e as suas mudanças de humor. Não receiem se este Coriolano se parecer muito ao Voldemort das adaptações cinematográficas de "Harry Potter"; Fiennes é muito bom a interpretar personagens tenebrosas com um passado conturbado.
Elogiem-se igualmente as canções em língua sérvia acrescentadas à banda-sonora, que parecem conferir um carácter mais trágico ao filme.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Estreias da semana

Estas são as estreias da semana de 29 de Março de 2012. Há algumas de origem portuguesa.

  • "A Vingança de uma Mulher", de Rita Azevedo Gomes, com Rita Durão, Fernando Rodrigues. País: Portugal. Duração: 100 minutos. O filme, baseado num texto do século XIX sobre a mais cruel vingança possível, trata da tentativa da duquesa de Serra Leoa de vingar-se do marido, que matou o seu amante. Enquanto planeia como provocar sofrimento ao duque, conhece diferentes pessoas, como o jovem Roberto, apreciador do prazer carnal que crê que as mulhere já nada lhe têm a oferecer até se cruzar com a misteriosa e amargurada duquesa.
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  • "Amigos Improváveis", Intouchables, de Eric Toledano e Olivier Nakache, com François Cluzet, Omar Sy. País: França. Duração: 112 minutos. Philippe, um homem rico que sofre um acidente de parapente e fica preso a uma cadeira de rodas, contrata um assistente vindo dos subúrbios, Driss, um ex-presidiário. Apesar das suas diferenças em termos de origens, gostos e vestuário, ambos vão aprender a gostar e apreciar essas disparidades e uma grande amizade irá surgir entre eles.
  • "É na Terra, não é na lua", de Gonçalo Tocha. País: Portugal. Duração: 180 minutos. Este é um documentário que aborda a vida dos habitantes da ilha açoriana do Corvo, os elementos que os rodeiam e a viagem empreendida pela área pelo realizador e o seu operador de câmara.
  • "Comprámos um Zoo!", We bought a Zoo, de Cameron Crowe, com Matt Damon, Scarlett Johansson, Patrick Fugit, Elle Fanning, Maggie Elizabeth Jones. País: E.U.A. Duração: 124 minutos. No sudeste californiano, um jovem viúvo muda-se para o meio rural com o filho adolescente e introvertido e a sorridente filha de tenra idade para recomeçar uma vida em paz. Com a aprovação da filha mais nova, o pai adquire uma propriedade que inclui na sua área  um jardim zoológico velho e com dívidas. A recuperação do zoo será uma prioridade, mas o amor também irá ao encontro de alguns membros da família.
  • "Fúria de Titãs", Wrath of the Titans, de Jonathan Liebesman, com Sam Worthington, Rosamund Pike, Liam Neeson, Billy Nighy. País: E.U.A. Duração: 99 minutos. Sequela de "Confronto de Titãs", Clash of the Titans, acompanha as novas aventuras do mítico Perseus, semi-deus e filho de Zeus. Os Titãs do deus Chronos, preso numa masmorra, estão a ganhar poder devido à cada vez mais desvanecida fé humana nos seus deuses. Hades e Ares fazem um acordo com Chronos para capturar Zeus, que vai perdendo as suas forças para os Titãs, que envolvem a Terra no caos. Perseus, que regressara à sua calma vida de pescador e pai, recebe uma nova missão: a do resgate do pai Zeus e da derrota do Titãs, o que trará paz ao mundo dos mortais. A Perseus juntar-se-ão a princesa Andrómeda, Agenor e o deus ferreiro Hefesto.

terça-feira, 27 de março de 2012

Tarte de fruta e amor

Vi no outro dia o filme que marcou a estreia de Wong Kar Wai no cinema norte-americano, intitulado "O Sabor do Amor" em português e My Blueberry Nights na versão original. Esta foi também a película em que Norah Jones participou a primeira vez como actriz, ao lado de Jude Law ou Natalie Portman. O filme abriu o Festival de Cinema de Cannes de 2007 e participou na competição oficial.
"O Sabor do Amor", sabe-se lá porquê, está classificado em Portugal como um filme não indicado para menores de dezasseis anos. Não se compreende isto quando não há nudez, sexo ou a violência gratuita que existe noutros filmes que até crianças podem ver sozinhas no cinema. Recordam "Avatar", com cenas de sensualidade, agressividade e mortes violentas? Só não é recomendado aos menores de seis anos.

Voltemos a "O Sabor do Amor". A narrativa acompanha uma mulher, Elizabeth, que ao descobrir que foi traída pelo namorado e contenta-se com uma fatia de tarte de mirtilos com gelado num café próximo do seu apartamento, decide viajar sozinha pelos Estados Unidos. Com essa viagem em autocarros e à base de boleias, Elisabeth quer esquecer o passado e trabalhar com o fim de reunir dinheiro para comprar um carro. À medida que alcança novos locais e arranja novos empregos, conhece casos pessoais que a ajudarão a perceber melhor o mundo à sua volta e escreve cartas a contar as suas pequenas aventuras a Jeremy, o empregado que lhe servira a fatia de tarte de mirtilos com que tentara confortar a sua dor.

Para um primeiro filme feito nos E.U.A., Wong Kar Wai não se saiu muito mal. Porém, a sua obra em inglês não entusiasmou os críticos nem o júri de Cannes, nem é o tipo de película que marque profundamente uma pessoa. É agradável de se visionar, segue-se com interesse e elo entre a protagonista, o empregado e chefe do café e a tarte é engraçado. Sente-se, no entanto, que o filme poderia ter sido enriquecido a nível narrativo e algumas personagens mais trabalhadas. As actuações são boas.