quarta-feira, 14 de março de 2012

Festival Monstra de Animação

A partir do dia 19 de Março e até ao dia 25 do mesmo mês decorrerá em Lisboa o Festival Monstra de Animação, havendo uma sessão de cinema a ter lugar em Tróia. Antes da abertura oficial do festival, vai ser estreada uma série de animação portuguesa no Cinema São Jorge, no dia 17, às 10h30, com o título Nutri Ventures - Em Busca dos 7 Reinos, detinada a crianças entre os cinco e os dez anos.

A Alemanha é o país convidado do evento deste ano, pelo que terá direito a uma retrospectiva com curtas e longas-metragens variadas. Haverá, como sempre, outras retrospectivas, como a da artista japonesa Morita e as de filmes japoneses, a dos vastamente premiados e a dos clássicos admirados por muitos em todo o mundo. A música também fará parte do festival, bem como espectáculos, exposições e oficinas e a secção "Monstrinha" com os mais novos como público-alvo.

Não faltarão os concursos de películas curtas, estudantis, nacionais e internacionais. Quem serão os vencedores este ano?

Para mais informações sobre o Festival, consultem a página oficial do mesmo: http://www.monstrafestival.com/index.php/pt/.

terça-feira, 13 de março de 2012

Outro prémio para João Canijo

Depois de ter ganho galardões no país de origem e no Festival de San Sebastián em San Sebastián, "Sangue do Meu Sangue" voltou a receber um prémio cinematográfico, desta vez o Grande Prémio do Júri na secção competitiva ibera-americana do Festival de Cinema de Miami, Florida, nos E.U.A. Parabéns uma vez mais aos cineastas portugueses.

sábado, 10 de março de 2012

O marido, a mulher e os outros

Consegui ver "Uma Separação", o vencedor do Urso de Ouro de Berlim atribuído o ano passado e o Óscar para Melhor Filme Estrangeiro, antes de sair das salas portuguesas. Pensei que não conseguiria ter essa oportunidade e seria obrigada a alugar o filme quando chegasse ao videoclube.
"Uma Separação", Jodaeiye Nader az Simin, é um filme iraniano realizado por Asghar Farhadi que conta no elenco com Peyman Moadi, Leila Hatami, Sarina Farhadi e Ali-Asghar Shahbazi.

O âmago da trama reside, tal como sugere o título, no divórcio do casal Nader e Simin e em tudo o que sucede em aparente consequência dessa intenção. Simin quer imigrar com a filha única, Termeh, para lhe proporcionar uma vida melhor e com mais oportunidades; Nader prefere ficar no Irão a cuidar do pai, um doente de Alzheimer e considera que a filha está mais habituada ao pai do que à mãe.
Enquanto não conseguem obter o divórcio, vários acontecimentos vão atormentar a família. Uma mulher grávida aceita tratar do pai de Nader, mas comete falhas bastante graves no seu novo trabalho. O marido da referida envolve-se no assunto de maneira agressiva. Termeh sofre ao não querer que os pais se separem e ter de escolher ficar com ou outro no caso de levarem avante o divórcio. Toda uma série de episódios vai originar uma teia de mentiras, meias-verdades, dúvidas e a busca da verdade.

Como filme de costumes e espelho de vários casos de vida, dos laços interpessoais e mesmo da justiça iraniana, "Uma Separação" está muito bem concebido. As prestações dos actores são bastante boas e quase nos fazem sentir que estamos a assistir a algo com umas nuances de documentário. É um filme que se vê com prazer, havendo uma certa tensão no filme que desperta ainda mais a curiosiodade do espectador em relação ao objectivos das personagens e à descoberta das verdades.
Li algures numa crítica que o facto de o filme ter como pano de fundo o Irão actual torna o filme mais interessante. Concordo com essa opinião, mas creio que o filme merece ser visto por muitas outras razões.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Estreias da semana

Esta semana de 8 de Março está recheada de estreias. Há nove novos filmes em cartaz e aqui estão eles.



  • "A Mulher de Negro", The Woman in Black, de James Watkins, com Daniel Radcliffe, Janet McTeer, Emma Shorey, Molly Harmon. País: Reino Unido. Duração: 95 minutos. Radcliffe interpreta Arthur Kipps, um jovem advogado que parte para a aldeia de Crythin Gifford para tratar de alguns negócios e descobre que há um fantasma de uma mulher traída a aterrorizar os locais em busca de vingança.
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  • "Em Câmara Lenta", de Fernando Lopes, com João Reis, Maria João Bastos, Maria João Luís. País: Portugal. Duração: 71 minutos. Neste filme são exploradas os laços do praticante de desporto marítimos Santiago com várias personagens e o modo como esses relacionamentos podem ser problemáticos e desafiar algo tão marcante como a identidade pessoal.

  • "Florbela", de Vicente Alves do Ó, com Dalila Carmo, Ivo Canelas, Albano Jerónimo. País: Portugal. Duração: 119 minutos. Biografia cinematográfica de parte da vida da poetisa Florbela Espanca, trata-se de um retrato íntimo em que são abordadas as suas relações pessoais, as fontes de inspiração para a sua escrita e os versos que compôs.

  • "Margin Call - O Dia Antes do Fim", Margin Call, de J.C. Chandor, com Zachary Quinto, Jeremy Irons, Kevin Spacey, Demi Moore. País: E.U.A. Duração: 109 minutos. A acção de Margin Call, nomeado para Melhor Argumento Original na cerimónia dos Óscares deste ano, desenrola-se ao longo de vinte e quatro horas. A revelação de informações compremetedoras sobre uma companhia financeira por parte do analista Peter Sullivan desencadeia uma espiral de episódios que levantarão questões e colocarão sérios obstáculos às vidas dos principais membros.
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  • "O Despertar das Trevas", The Devil Inside, de William Brent Bell, com Fernanda Andrade, Evan Helmuth, Simon Quarterman. País: E.U.A. Duração: 83 minutos. Isabella Rossi, vinte anos após a mãe ter cometido três homicídios, decide investigar o caso e parte para o hospital psiquiátrico onde ela se encontra a fim de perceber se esta sofre de algum problema mental ou se está possuída por um demónio. Dois exorcistas são recrutados e depressa descobrem que a mãe de Isabella está possuída por quatro terríveis demónios.
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  • "O Dia mais Feliz da Minha Vida", de Adriano Luz, com Carla de Sá, Miguel Borges, Romeu Costa. País: Portugal. Duração: 23 minutos. Nesta curta-metragem, um casal é atormentado por uma doença degradante que lhe vai tirar a felicidade.

  • "Uma Doce Mentira", De vrais mensonges, de Pierre Salvadori, com Audrey Tautou, Nathalie Baye, Sami Bouajila. País: França. Duração:  105 minutos. Emilie recebe uma carta anónima de amor e decide enviá-la à mãe, deprimida por o marido a ter abandonado. O remetente da carta de amor é na realidade o empregado, e a troca conduzirá a uma série de ilusões e enganos.
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  • "Uma Lista a Abater", Kill List, de Ben Wheatley, com Harry Simpson, Michael Smiley, MyAnna Buring. País: E.U.A. Duração: 95 minutos. Depois de um trabalho lhe ter corrido muito mal, um antigo soldado que se tornou num assassino contratado é forçado a aceitar mais uma missão. No entanto, ainda não recuperado da anterior missão, começa a ser assolado pela paranóia.
  • "Viagem ao Centro da Terra 2: A Ilha Misteriosa", Journey 2: Mysterious Island, de Brad Peyton, com Dwayne Johnson, Michael Caine, Vanessa Hudgens. País: E.U.A. Duração: 94 minutos. Nesta sequela da adaptação do romance homónimo de Júlio Verne protagonizada por Bredan Fraser, um indivíduo de nome Sean Anderson recebe uma mensagem em código de uma ilha subterrânea misteriosa. Juntamente com um amigo, um piloto de helicópteros e a filha, parte para a ilha a fim de resgatar o seu único habitante, evitando erupções e terramotos que ameaçam submergir o local e os seus tesouros ocultos. 

Entre mundos

Visionei finalmente o filme "Código Base", Source Code. Aluguei-o no videoclube do serviço MEO. É realizado por Duncan Jones e conta com as interpretações de Jake Gyllenhaal, Michelle Monaghan e Vera Farmiga.

A narrativa acompanha estranhos acontecimentos vividos por Colter Stevens, um militar que acorda inexplicavelmente  na pele de um professor desconhecido, Sean Fentress, que se dirige para Chicago com uma mulher, Christina, que acaba de tomar decisões importantes graças aos seus supostos conselhos. O capitão Stevens, estranhando não se encontrar em missão no Afeganistão como devia, tenta perceber o que se passa. Oito minutos mais tarde, o comboio em que segue explode e Stevens sente-se ser sugado para uma espécie de cápsula através da qual consegue contactar com uma capitã da Força Aérea, que responde pelo nome de Collen Goodwin, que lhe revela que ele está inserido num programa designado "Código Base" e que permite recuperar informação perdida no passado. O objectivo do capitão Colter Stevens é descobrir quem colocou a bomba no comboio e onde, a fim de evitar um novo ataque terrorista que os serviços secretos desconfiam que possa suceder no centro de Chicago, perpetuado pelo mesmo indivíduo.


"Código Base" é um bom thriller pincelado com algo de ficção-científica, que mantém o espectador ansioso e expectante em relação ao desfecho do enredo. Repleto de analepses e prolepses, pode confundir e irritar uma pessoa menos paciente, mas as personagens explicarão o que se passa com lucidez. A relação que se forma entre Colter e Christina tem uma beleza que tem muito em comum com a conclusão do filme. Aliás, o final da película contém um interessante twist que surpreenderá o espectador, além de ter provocado estranheza à Capitã Goodwin e possivelmente ao próprio inventor do sistema Source Code.
Volta a surgir a questão, colocada também por Stevens: haverá realidades paralelas, onde somos outra pessoa e o nosso destino difere?

domingo, 4 de março de 2012

Cavalos e homens entre destroços

Ontem tive a ocasião de visionar "Cavalo de Guerra", War Horse, um dos nove nomeados deste ano ao Óscar de Melhor Filme. Realizado por Steven Spielberg, adapta um romance juvenil de Michael Morpurgo editado em 1982 que já fora levado ao teatro sob a forma de uma peça em que os cavalos são interpretados por grandes e complexas marionetas.

A narrativa de "Cavalo de Guerra" inicia-se na região inglesa de Devon, um pouco antes da entrada da Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial. Jeremy Irvine é o actor responsável pelo papel de Albert Narracott, filho de uma família cuja principal actividade é a agricultura. Albert assiste ao nascimento de um energético potro castanho de patas brancas com uma mancha triangular na frente e tenta aproximar-se dele com maçãs e chamamentos, mas a mãe égua não o deixa afastar-se demasiado. Quando o potro é vendido numa feira equina, é adquirido com surpresa pela família Narracott, habituada a cavalos de carga. Albert imediatamente se encarrega de educar o novo animal, a que chama Joey, e ensina-lhe a responder a ordens e a realizar tarefas que alguns aldeões acreditavam ser impossíveis, como arar a terra e ser montado. Entretanto, o primeiro grande conflito armado mundial alcança a Inglaterra, e o pai de Albert vê-se forçado a vender Joey à Cavalaria Britânica para ajudar a saldar uma dívida.
Joey começará a partir daí uma grande aventura como cavalo-soldado, conhecendo ingleses dedicados à guerra, outros cavalos, alemães e franceses, deixando-se sempre uma boa impressão junto daqueles que com ele contactam. Mais tarde, ao atingir os dezanove anos de idade, Albert juntar-se-á à guerra e também contactará com alemães e franceses, sem saber o que aconteceu ao seu cavalo.

Esta película é uma boa história de amizade em tempos de conflito e sofrimento. A maneira como Albert e Joey se habituam um ao outro e se ajudam mutuamente é muito bonita e possivelmente emocionará os donos de animais de estimação ou simplesmente os que adoram as criaturas que nos rodeiam e que às vezes tratamos como objectos.
As sequências de guerra farão muitos recordar "O Resgaste do Soldado Ryan", Saving Private Ryan, do mesmo realizador, mas poder-se-á perdoar pois todas as guerras são iguais na maneira como destroem vidas e rotinas. A maneira extremamente humanizada com que certos animais reagem às emoções e pedidos de outros animais e de pessoas poderá parecer estranha a alguns espectadores; contudo, deve ser recordado que o romance em que o filme é baseado é narrado na primeira pessoa por Joey, pelo que seria de esperar um lado mais compreensivo e racional da parte das personagens não-humanas.
O facto de o filme já ter sido considerado um "épico familiar" não soará contraditório? Talvez as crianças reajam bem aos aparentes diálogos entre animais e pessoas, mas fiquem impressionadas com algumas sequeências de violência. Pensemos então nos livros de Hstória que estudámos nos 2º e 3º ciclo e na classificação etária do filme. "Cavalo de Guerra" não é a escolha mais acertada para uma criança de seis anos, mas uma de doze pode gostar bastante do filme. Às crianças não há que esconder a agressividade da guerra e do ser humano, há que aprender a não repetir os erros do passado.
War Horse balança bem os momento de afecto com os cómicos e os mais violentos. Parece-me interessante que Steven Spielberg tenha experimentado abordar a primeira guerra mundial em vez da segunda, como já tinha feito algumas vezes. É um filme muito interessante para ir ver ao cinema.

sábado, 3 de março de 2012

Dois filmes de Kelly Reichardt na RTP2

Hoje, a partir das 22h40 aproximadamente, serão transmitidos dois filmes da realizadora norte-americana independente Kelly Reichardt, ambos protagonizados por Michelle Williams. O primeiro será "Wendy e Lucy", Wendy and Lucy, seguido de "O Atalho", Meek's Cutoff.

"Wendy e Lucy" trata de uma amizade entre uma mulher e a sua cadela. Wendy parte com Lucy a caminho de um novo local de trabalho promissor, mas quando o carro avaria a meio da viagem, cadela e dona vão tentar orientar-se à base de poupos e de planos apressados. A situação piora quando, enquanto Wendy vai para a esquadra responder pelo roubo de uma lata de comida canina, Lucy foge sem que ninguém preste muita atenção ao facto, além da dona.
"O Atalho" tem como espaço narrativo o estado de Oregon árido e pouco explorado da primeira metade do século XIX, que um grupo de pessoas atravessa em busca de um lugar seguro onde reestabelecer as suas rotinas e água.