segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Prémios Goya

Terminou há uns minutos a 26ª Gala dos Prémios Goya da Academia Espanhola de Cinema. De todos os títulos de origem espanhola ou ibero-americana nomeados para os prémios, só um estreou já em Portugal, "A Pele Onde Eu Vivo", de Pedro Almodóvar. Vejamos se os outros vencedores chegarão às nossas salas. Enumero aqui os galardoados de algumas das categorias mais cobiçadas.

Melhor Actor Secundário: Lluís Homar, Eva
Melhor Actriz Secundária: Ana Wagener, "A Voz Adormecida", La voz dormida
Melhor Actor Revelação: Jan Cornet, "A Pele Onde Eu Vivo", La piel que habito
Melhor Actriz Revelação: María León, "A Voz Adormecida", La voz dormida
Melhor Actor Principal: José Coronado, "Não haverá Paz para os Malvados", No habrá paz para los malvados
Melhor Actriz Principal: Elena Anaya, "A Pele Onde Eu Vivo", La piel que habito
Melhor Argumento Original: "Não haverá paz para os malvados", No habrá paz para los malvados
Melhor Argumento Adaptado: "Rugas", Rugas
Melhor Realizador: Enrique Urbizu, "Não haverá paz para os malvados", No habrá paz para los malvados
Melhor Novo Realizador: Kike Maíllo, Eva
Melhor Filme: "Não Haverá Paz para os Malvados", No habrá paz para los malvados

Melhor Filme de Animação: "Rugas", Arrugas
Melhor Documentário: "Escutando o Juiz Garzón", Escuchando al Juez Garzón
Melhor Filme Europeu: "O Artista", The Artist (França/Bélgica)
Melhor Filme Ibero-Americano: "Uma história da China", Un cuento chino (Argentina)

A cerimónia decorreu com rapidez, mas não a que se esperava devido a alguns discursos de agradecimento muito extensos. Houve dois momentos estranhos a mencionar: na entrega de um dos prémios, um intruso pediu à galardoada uns segundos para defender a sua causa, a filmagem de um western na por vezes agreste região espanhola da Extremedura, talvez por não lhe ter agradado que um dos nomeados a Melhor Filme Espanhol (Blackthorn - Sin Destino, um western) tenha sido gravado na Bolívia e não na amada Espanha; mais tarde, quando se começou focar um vídeo que passava no grande ecrã do palco, surgiu um grupo de pessoas na plateia que rapidamente se deslocou para o que seria uma das saídas da  grande sala de espectáculos, possivelmente uns seguranças a segurar um homem que parecia mostrar o dedo grande da mão às câmaras.
Para o ano haverá mais. Mais prémios e mais pessoas com causas a defender ou mera fome de exibicionismo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Os Ursos de Berlim

Hoje foram atribuídos os grandes prémios do Festival de Cinema de Berlim de 2012, com um júri presidido pelo realizador britânico Mike Leigh ("Segredos e Mentiras", "Um Ano Mais").

Urso de Ouro: "César deve Morrer" (Cesare deve morire), de Paolo e Vittorio Taviani
Urso de Prata (Melhor Realização): Christian Petzold, Barbara
Urso de Prata ao Melhor Contributo Artístico: Lutz Reitemeier (direcção artística), "A Planície do Veado Branco" (Bain Yu Luan), realizado por Wang Quan'an
Grande Prémio do Júri: Just The Wind, de Bence Fliegauf
Menção Especial: L'enfant d'en haut, de Ursula Meier
Melhor Argumento: Rasmus Heisterberg e Nikolaj Arcel, A Royal Affair
Melhor Actor: Mikkel Folsgaard, A Royal Affair
Melhor Actriz: Rachel Mwanza, Rebelle


A Berlinale distinguiu este ano o cinema português como é muito raro acontecer. Ontem foi anunciado que o filme português "Tabu", produzido em parceria com o Brasil, ganhou o prémio da crítica internacional. Entretanto, surgiram mais duas distinções.

Urso de Ouro para Curtas-Metrages: "Rafa", de João Salaviza
Prémio Alfred Bauer às melhores novas visões do cinema: "Tabu", de Miguel Gomes

Veremos se estas metragens voltarão a receber prémios noutros certames. Mas o me interessa mesmo é saber quando estrearão em Portugal todos os vencedores da Berlinale deste ano.

Parabéns ao cinema português!

O filme "Tabu", de Miguel Gomes, ganhou o Prémio da Crítica no Festival de Cinema de Berlim.
O certame de 2012 terminou hoje com a exibição fora de competição da película Bel Ami, inspirada no romance homónimo de Guy de Maupassant, protagonizada por Robert Pattinson e recebida com pouco entusiasmo.
Vejamos este fim-de-semana se a "Tabu" estará reservado algum Urso ou outro galardão.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Estreias da semana

  • "A Invenção de Hugo" (Hugo), de Martin Scorcese, com Asa Butterfield, Chloe Grace Moretz, Ben Kingsley, Jude Law, Sacha Baron Cohen. País: EUA. Duração: 126 minutos. Baseado no romance para jovens The Invention of Hugo Cabret, de Brain Selznik. Trata do enigma em que estão envolvidos o pai defunto de Hugo e um automato com uma fechadura cuja chave está na posse de uma menina desocnhecida. A acção da narrativa decorre em Paris, no início da década de 1930.

  • "Jack e Jill" (Jack and Jill), de Dennis Dugan, com Adam Sandler, Katie Holmes. País: EUA. Duração: 91 minutos. Esta é uma comédia em que Adam Sandler interpreta tanto Jack como a irmã gémea Jill, que vai trazer muitas dores de cabeça consigo numa visita à família do irmão.

  • "Le Havre" (Le Havre), de Aki Kaurismaki, com André Wilms, Blondin Miguel, Jean Pierre-Darroussin, Kati Outinen. País: Finlândia. Duração: 103 minutos. Vencedor do Prémio da Crítica no Festival de Cannes 2011. Comédia dramática em que Marcel Marx, um famoso escritor e boémio que abandona o seu estilo de vida para poder servir melhor o povo, vai viver com a mulher na pequena cidade portuária de Le Havre, onde começa a trabalhar como engraxador de sapatos. Aí travará amizade com uma criança africana refugiada, que irá tentar proteger da perseguição das autoridades.


  • "O Último Voo" (Le Dernier Vol), de Karim Dridi, com Frédéric Epaud, Marion Cotillard. País: França. Duração: 98 minutos. No ano de 1933, um aviador perde-se no deserto do Sahara enquanto tenta bater um recorde na duração da rota que liga Londres à Cidade do Cabo. Marie, amante e aviadora, tenta procurá-lo, mas irá lidar com diversos problemas burocráticos e uma revolução antes de saber o que lhe aconteceu.
     
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Lovely!

"O Artista" (The Artist) tem ganho quase todos os grandes prémios cinematográficos para os quais é nomeado. Os críticos, na sua maioria, têm-no aplaudido ou simplesmente apreciado como um bom filme. Há também quem não perceba o entusiasmo gerado pelo filme e que o ano passado ofereceu-nos títulos mais memoráveis. O público tem ido aos cinemas ver "O Artista", mas não o suficiente para o tornar um êxito de bilheteira, embora acredite tratar-se de algo que vale a pena a ver. De qualquer das maneiras, o jornalista que há uns anos afirmou na revista Time que a França, outrora grande produtora de cultura, estava a cair lentamente na zona do estranho e do isolamento, estará agora a repensar no que escreveu e que há sempre oportunidades para renascer das cinzas.
A película foi realizada e escrita por Michel Hazanavicius. É uma produção franco-belga e nela participam actores de diferentes nacionalidades, entre franceses, norte-americana e a argentina Berenice Bejo. Foi filmada nos E.U.A.

O protagonista do filme é George Valentin, um orgulhoso e talentoso actor de filmes mudos que em 1927 está no pico da sua carreira e da sua fama. Após a estreia do seu mais recente filme, A Russian Affair, Valentin conhece a jovem Peppy Miller, uma fã que com um pouco de sorte consegue ser fotografada junto ao seu ídolo e posar para os jornais.
No dia seguinte, Peppy participa num casting para dançar num filme em que tem de contracenar com Valentin durantes uns momentos. Ambos trocam olhares e começam a sentir empatia e ternura um pelo outro, ainda que Valentin seja casado.
Peppy Miller gosta da experiência de actual e volta a participar em mais castings até, devagarinho conseguir um lugar importante na indústria de Hollywood. Entretanto, algo novo, o filme falado, torna-se no que todos os espectadores querem ver no cinema. Valentin insiste em fazer filmes mudos; Miller não se importa de se adaptar à novidade. Mais não conto.

"O Artista" está filmado como um antigo filme surdo, sem diálogos audíveis  e com uns quantos frames de texto, acompanhado por uma banda sonora que se adequa às sensações vividas pelas personagens. Michel Hazanavicius já afirmou em entrevista que o enredo do seu filme foi influenciado por clássicos como "Assim Nasce uma Estrela" (A Star is Born), de George Cukor com Judy Garland, e há quem considere que "O Artista" não traz nada de novo ao assemelhar-se a este - mas a originalidade na arte nunca é total, lembremo-nos disso. Porém, tantas são as semelhanças como as diferenças. A Peppy Miller de Bejo tem um encanto ingénuo e é apresentada como uma jovem mulher normal que tenta a sua sorte no cinema e Valetin é um actor charmoso que conhece Peppy sóbrio, enquanto a personagem de Garland e o seu co-protagonista se conhecem em condições mais degradantes.

The artist homenageia o cinema mudo na sua forma, mas também no seu tema e com as personagens. É ambientado na Los Angeles do final dos anos 20 do século passado, aborda a Grande Depressão e o subtil reerguer americano. Retrata de modo muito interessante a disputa entre os filmes mudos e os falados e de maneira romântica e terna a relação que se desenvolve entre Valentin e Miller. Jean Dujardin interpreta de forma convincente e emocionante o actor George Valetin, merecendo todos os prémios que tem recebido. São muitos apelativas igualmente as prestações de Bejo, Penelope Ann Miller, John Goodman, entre outros, e do cão Uggie, o fiel companheiro de George Valentin nos seus filmes e na vida, um cão que na realidade se chama da mesma maneira e se vai reformar este ano, com dez anos de idade, após vários dedicados à intepretação. Não sei se foi de facto o melhor filme de 2011, mas "The Artist" é uma pequena jóia que merece ser vista.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Principais Vencedores dos BAFTA

Venho anunciar-vos os vencedores de alguns dos principais prémios atribuídos anualmente pela Academia Britânica das Artes do Cinema e da Televisão:

Melhor Actriz Secundária: Octavia Spencer, "As Serviçais"
Melhor Actor Secundário: Christopher Plummer, "Assim é o Amor"
Melhor Actriz Principal: Meryl Streep, "A Dama de Ferro"
Melhor Actor Principal: Jean Dujardin, "O Artista"
Melhor Argumento Adaptado: Bridget O' Connor e Peter Straughan, "A Toupeira", a partir da série de obras homónima de John LeCarré
Melhor Argumento Original: Michel Hazanavicius, "O Artista"
Melhor Realizador: Michel Hazanavicius, "O Artista"
Melhor Filme Britânico: "A Toupeira"
Melhor Filme: "O Artista"

Melhor Filme Estrangeiro/ em Língua Não-Inglesa: "A Pele onde Eu Vivo" (Espanha)
Melhor Documentário: "Senna"
Melhor Filme de Animação: "Rango"
Melhor Curta-Metragem: "Pitch Black Heist"
Melhor Curta-Metragem de Animação: "A Morning Stroll"

Prémio Talento em Ascensão: Adam Deacon
Melhor Primeiro Trabalho: Paddy Considine e Darmid Scrimshaw, "Tiranossauro"

Melhor Banda Sonora: Ludovic Bource, "O Artista"
Melhor Montagem: "Senna"
Melhor Cinematografia: "O Artista"
Melhor Direcção Artística: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor Vestuário: "O Artista"
Melhor Som: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhores Efeitos Visuais: "Harry Potter e os Talismãs da Morte - Parte 2"
Melhor Maquilhagem: "A Dama de Ferro"

Melhor Série Televisiva Dramática: "Sherlock"
Melhor Série Televisiva Não-Britânica: "The Killing - Crónica de um Assassinato" (Dinamarca)
Prémio Youtube do Público para Melhor Série Britânica: "The Only Way is Essex"

Creio que o principal vencedor da noite, "O Artista", é um bom filme, divertido, que faz uma bela homenagem aos filmes mudos, aos primeiros filme falados, bem como aos famosos realizadores e actores que elevou ao estrelato.

Goodbye, Miss Houston

Morreu alguém que emocionou corações com a sua voz e as suas canções. Whitney Houston tinha apenas 48 anos. Segundo algumas notícias, o abuso das drogas e um estilo de vida nada saudável arruinaram a sua voz e fizeram-na perder a faísca que a tornava numa grande cantora. No entanto, quem sabe que projectos poderia ter desenvolvido no futuro, caso tivesse essa oportunidade?

Whitney Houston lançou o primeiro single em 1985 e não tardariam a surgir mais singles, discos e prémios. Cantou o hino nacional dos E.U.A. na final da Superbowl de 1991 de uma maneira que fascinou milhões de pessoas.
Contudo, a senhora Houston também fez alguns trabalhos como actriz, nomeadamente no filme "O Guarda-Costas" (The Bodyguard), em que contracenou com Kevin Costner. Tratava da relação entre uma cantora de sucesso e o seu guarda-costas, às vezes complicada, mas que acaba por se transformar em amor. É um filme engraçado para ver durante a tarde ou a noite para matar o tempo, ainda que conte com boas canções na sua banda sonora, como a intensa I Will Always Love You, e algumas sequências românticas que podem fazer o coração mais sensível bater mais depressa. Foi um sucesso de bilheteiras e agradou mais ao público que aos críticos de cinema: tanto recebeu nomeações para os Razzies como para os MTV Movie Awards.

Muitos afirmam que o casamento com o rapper Bobby Brown em 1992 foi o responsável pela lenta queda de Whitney Houston. Com ele teve uma filha, mas também problemas.
A esta altura ainda não se sabe o que a matou, mas haverá muita gente a pensar numa overdose como causa de morte e um jornal sugere que morreu afogada na banheira. Mas, por enquanto, pensemos no que Whitney Houston nos deixou de bom....


http://www.youtube.com/watch?v=3JWTaaS7LdU&feature=fvsr