sábado, 18 de fevereiro de 2012

Parabéns ao cinema português!

O filme "Tabu", de Miguel Gomes, ganhou o Prémio da Crítica no Festival de Cinema de Berlim.
O certame de 2012 terminou hoje com a exibição fora de competição da película Bel Ami, inspirada no romance homónimo de Guy de Maupassant, protagonizada por Robert Pattinson e recebida com pouco entusiasmo.
Vejamos este fim-de-semana se a "Tabu" estará reservado algum Urso ou outro galardão.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Estreias da semana

  • "A Invenção de Hugo" (Hugo), de Martin Scorcese, com Asa Butterfield, Chloe Grace Moretz, Ben Kingsley, Jude Law, Sacha Baron Cohen. País: EUA. Duração: 126 minutos. Baseado no romance para jovens The Invention of Hugo Cabret, de Brain Selznik. Trata do enigma em que estão envolvidos o pai defunto de Hugo e um automato com uma fechadura cuja chave está na posse de uma menina desocnhecida. A acção da narrativa decorre em Paris, no início da década de 1930.

  • "Jack e Jill" (Jack and Jill), de Dennis Dugan, com Adam Sandler, Katie Holmes. País: EUA. Duração: 91 minutos. Esta é uma comédia em que Adam Sandler interpreta tanto Jack como a irmã gémea Jill, que vai trazer muitas dores de cabeça consigo numa visita à família do irmão.

  • "Le Havre" (Le Havre), de Aki Kaurismaki, com André Wilms, Blondin Miguel, Jean Pierre-Darroussin, Kati Outinen. País: Finlândia. Duração: 103 minutos. Vencedor do Prémio da Crítica no Festival de Cannes 2011. Comédia dramática em que Marcel Marx, um famoso escritor e boémio que abandona o seu estilo de vida para poder servir melhor o povo, vai viver com a mulher na pequena cidade portuária de Le Havre, onde começa a trabalhar como engraxador de sapatos. Aí travará amizade com uma criança africana refugiada, que irá tentar proteger da perseguição das autoridades.


  • "O Último Voo" (Le Dernier Vol), de Karim Dridi, com Frédéric Epaud, Marion Cotillard. País: França. Duração: 98 minutos. No ano de 1933, um aviador perde-se no deserto do Sahara enquanto tenta bater um recorde na duração da rota que liga Londres à Cidade do Cabo. Marie, amante e aviadora, tenta procurá-lo, mas irá lidar com diversos problemas burocráticos e uma revolução antes de saber o que lhe aconteceu.
     
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Lovely!

"O Artista" (The Artist) tem ganho quase todos os grandes prémios cinematográficos para os quais é nomeado. Os críticos, na sua maioria, têm-no aplaudido ou simplesmente apreciado como um bom filme. Há também quem não perceba o entusiasmo gerado pelo filme e que o ano passado ofereceu-nos títulos mais memoráveis. O público tem ido aos cinemas ver "O Artista", mas não o suficiente para o tornar um êxito de bilheteira, embora acredite tratar-se de algo que vale a pena a ver. De qualquer das maneiras, o jornalista que há uns anos afirmou na revista Time que a França, outrora grande produtora de cultura, estava a cair lentamente na zona do estranho e do isolamento, estará agora a repensar no que escreveu e que há sempre oportunidades para renascer das cinzas.
A película foi realizada e escrita por Michel Hazanavicius. É uma produção franco-belga e nela participam actores de diferentes nacionalidades, entre franceses, norte-americana e a argentina Berenice Bejo. Foi filmada nos E.U.A.

O protagonista do filme é George Valentin, um orgulhoso e talentoso actor de filmes mudos que em 1927 está no pico da sua carreira e da sua fama. Após a estreia do seu mais recente filme, A Russian Affair, Valentin conhece a jovem Peppy Miller, uma fã que com um pouco de sorte consegue ser fotografada junto ao seu ídolo e posar para os jornais.
No dia seguinte, Peppy participa num casting para dançar num filme em que tem de contracenar com Valentin durantes uns momentos. Ambos trocam olhares e começam a sentir empatia e ternura um pelo outro, ainda que Valentin seja casado.
Peppy Miller gosta da experiência de actual e volta a participar em mais castings até, devagarinho conseguir um lugar importante na indústria de Hollywood. Entretanto, algo novo, o filme falado, torna-se no que todos os espectadores querem ver no cinema. Valentin insiste em fazer filmes mudos; Miller não se importa de se adaptar à novidade. Mais não conto.

"O Artista" está filmado como um antigo filme surdo, sem diálogos audíveis  e com uns quantos frames de texto, acompanhado por uma banda sonora que se adequa às sensações vividas pelas personagens. Michel Hazanavicius já afirmou em entrevista que o enredo do seu filme foi influenciado por clássicos como "Assim Nasce uma Estrela" (A Star is Born), de George Cukor com Judy Garland, e há quem considere que "O Artista" não traz nada de novo ao assemelhar-se a este - mas a originalidade na arte nunca é total, lembremo-nos disso. Porém, tantas são as semelhanças como as diferenças. A Peppy Miller de Bejo tem um encanto ingénuo e é apresentada como uma jovem mulher normal que tenta a sua sorte no cinema e Valetin é um actor charmoso que conhece Peppy sóbrio, enquanto a personagem de Garland e o seu co-protagonista se conhecem em condições mais degradantes.

The artist homenageia o cinema mudo na sua forma, mas também no seu tema e com as personagens. É ambientado na Los Angeles do final dos anos 20 do século passado, aborda a Grande Depressão e o subtil reerguer americano. Retrata de modo muito interessante a disputa entre os filmes mudos e os falados e de maneira romântica e terna a relação que se desenvolve entre Valentin e Miller. Jean Dujardin interpreta de forma convincente e emocionante o actor George Valetin, merecendo todos os prémios que tem recebido. São muitos apelativas igualmente as prestações de Bejo, Penelope Ann Miller, John Goodman, entre outros, e do cão Uggie, o fiel companheiro de George Valentin nos seus filmes e na vida, um cão que na realidade se chama da mesma maneira e se vai reformar este ano, com dez anos de idade, após vários dedicados à intepretação. Não sei se foi de facto o melhor filme de 2011, mas "The Artist" é uma pequena jóia que merece ser vista.


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Principais Vencedores dos BAFTA

Venho anunciar-vos os vencedores de alguns dos principais prémios atribuídos anualmente pela Academia Britânica das Artes do Cinema e da Televisão:

Melhor Actriz Secundária: Octavia Spencer, "As Serviçais"
Melhor Actor Secundário: Christopher Plummer, "Assim é o Amor"
Melhor Actriz Principal: Meryl Streep, "A Dama de Ferro"
Melhor Actor Principal: Jean Dujardin, "O Artista"
Melhor Argumento Adaptado: Bridget O' Connor e Peter Straughan, "A Toupeira", a partir da série de obras homónima de John LeCarré
Melhor Argumento Original: Michel Hazanavicius, "O Artista"
Melhor Realizador: Michel Hazanavicius, "O Artista"
Melhor Filme Britânico: "A Toupeira"
Melhor Filme: "O Artista"

Melhor Filme Estrangeiro/ em Língua Não-Inglesa: "A Pele onde Eu Vivo" (Espanha)
Melhor Documentário: "Senna"
Melhor Filme de Animação: "Rango"
Melhor Curta-Metragem: "Pitch Black Heist"
Melhor Curta-Metragem de Animação: "A Morning Stroll"

Prémio Talento em Ascensão: Adam Deacon
Melhor Primeiro Trabalho: Paddy Considine e Darmid Scrimshaw, "Tiranossauro"

Melhor Banda Sonora: Ludovic Bource, "O Artista"
Melhor Montagem: "Senna"
Melhor Cinematografia: "O Artista"
Melhor Direcção Artística: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhor Vestuário: "O Artista"
Melhor Som: "A Invenção de Hugo Cabret"
Melhores Efeitos Visuais: "Harry Potter e os Talismãs da Morte - Parte 2"
Melhor Maquilhagem: "A Dama de Ferro"

Melhor Série Televisiva Dramática: "Sherlock"
Melhor Série Televisiva Não-Britânica: "The Killing - Crónica de um Assassinato" (Dinamarca)
Prémio Youtube do Público para Melhor Série Britânica: "The Only Way is Essex"

Creio que o principal vencedor da noite, "O Artista", é um bom filme, divertido, que faz uma bela homenagem aos filmes mudos, aos primeiros filme falados, bem como aos famosos realizadores e actores que elevou ao estrelato.

Goodbye, Miss Houston

Morreu alguém que emocionou corações com a sua voz e as suas canções. Whitney Houston tinha apenas 48 anos. Segundo algumas notícias, o abuso das drogas e um estilo de vida nada saudável arruinaram a sua voz e fizeram-na perder a faísca que a tornava numa grande cantora. No entanto, quem sabe que projectos poderia ter desenvolvido no futuro, caso tivesse essa oportunidade?

Whitney Houston lançou o primeiro single em 1985 e não tardariam a surgir mais singles, discos e prémios. Cantou o hino nacional dos E.U.A. na final da Superbowl de 1991 de uma maneira que fascinou milhões de pessoas.
Contudo, a senhora Houston também fez alguns trabalhos como actriz, nomeadamente no filme "O Guarda-Costas" (The Bodyguard), em que contracenou com Kevin Costner. Tratava da relação entre uma cantora de sucesso e o seu guarda-costas, às vezes complicada, mas que acaba por se transformar em amor. É um filme engraçado para ver durante a tarde ou a noite para matar o tempo, ainda que conte com boas canções na sua banda sonora, como a intensa I Will Always Love You, e algumas sequências românticas que podem fazer o coração mais sensível bater mais depressa. Foi um sucesso de bilheteiras e agradou mais ao público que aos críticos de cinema: tanto recebeu nomeações para os Razzies como para os MTV Movie Awards.

Muitos afirmam que o casamento com o rapper Bobby Brown em 1992 foi o responsável pela lenta queda de Whitney Houston. Com ele teve uma filha, mas também problemas.
A esta altura ainda não se sabe o que a matou, mas haverá muita gente a pensar numa overdose como causa de morte e um jornal sugere que morreu afogada na banheira. Mas, por enquanto, pensemos no que Whitney Houston nos deixou de bom....


http://www.youtube.com/watch?v=3JWTaaS7LdU&feature=fvsr

sábado, 11 de fevereiro de 2012

"Colisão" na RTP2

Hoje, às 22:40, a RTP2 vai transmitir o filme "Colisão" (Crash), de Paul Haggis, vencedor do Óscar de Melhor Filme no ano de 2006.
Conta com a participação de vários actores conhecidos, como Sandra Bullock, Thandie Newton, Brendan Fraser, Don Cheadle, o rapper Ludacris, entre outros. Apesar dos trabalhos interessantes por parte de grande parte do elenco, Matt Dillon, Terrence Howard e Thandie Newton foram os mais elogiados pelos críticos.
Se bem me recordo, o Óscar de Melhor Filme foi recebido com alguma surpresa pelos meios. Era um filme que tinha estreado em Maio nos E.U.A., quando geralmente os vencedores do galardão estreiam nos últimos meses do ano. Não é uma película que termine com uma moral ou uma mensagem positiva que nos arrebate o coração.
Sim, há filmes bastante negros que já receberam este prémio. Porém, "Colisão" não é estranhamente complexo ou sanguinário. É um retrato de episódios nas vidas de habitantes de Los Angeles que se cruzam apesar das diferenças sociais e culturais, um retrato do racismo e da desconfiança que ainda se pode respirar em muitos locais nos E.U.A., mas que também mostra que por vezes essa colisão de elementos divergentes é necessária e pode trazer benefícios e gerar compreensão.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Os Descendentes"

"Os Descendentes", sendo The Descendants o título original. É baseado numa obra ficcional de Kaui Hart Hemmings e recebeu, na gala dos Globos de Ouro de Janeiro, os prémios para Melhor Actor num Filme Dramático (George Clooney) e Melhor Filme Dramático. Já recebeu outros tantos galardões que visaram premiar não só o filme e o actor principal, mas igualmente o guião adaptado ou a jovem actriz secundária Shailene Woodley. Está nomeado para cinco Óscares da Academia Americana de Cinema: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Actor num Papel Principal e Melhor Montagem.

Este filme centra-se na personagem de Matt King, um descendente de um membro da antiga realeza do Hawaii, que gere e trata das burocracias inerentes a vários terrenos pertencentes à sua família. Matt está quase sempre atarefado e a sua vida está longe do cenário idílico a que muitos associam a vida no arquipélago aparentemente paradisíaco do Hawaii.
No entanto, a sua rotina é quebrada por um terrível acidente; a mulher sofre um acidente enquanto pratica desportos radicais e entra num grave estado de coma. Matt vê-se então a braços com uma nova tarefa, a de tomar conta das filhas e reaproximar-se das mesmas. Poderia ser algo fácil, mas não vai ser: a filha mais nova, Scottie, diz palavrões e dirige gestos impróprios a adultos, além de apresentar alguns gostos estranhos e meter-se em problemas na escola; a filha adolescente, Alexandra, tem uma má relação com a mãe e guarda segredos que irão gerar uma reviravolta na vida emocional de Matt.

"Os Descendentes" é um filme que mistura com grande eficácia o drama com a comédia. Outra das suas qualidades é mostrar duas realidades distintas do Hawaii: por um lado, o quotidiano repetitivo de muitos dos seus habitantes e a apatia das zonas urbanas; por outro, a beleza das paisagens e a alegria dos bares e da música local.
Gostaria ainda de elogiar o trabalho dos actores. George Clooney foi uma boa escolha para o papel de Matt King, mas o mesmo se pode dizer das jovens actrizes que interpretam Alexandra (Shailene Woodley) e Scottie (Amara Miller) e de outros actores. Interpretam as suas personagens com realismo e sabem quando ser cómicos ou transparecem tristeza, graças a um bom "casting" e a um bom realizador.
Não é um filme perfeito, mas é bastante bom. Muito recomendável.